Maluf faz lobby para PPB apoiar Lerner
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 28 de abril de 1998
Leandro Donatti 
Arquivo FolhaTrocaPaulo Maluf: acordo no Paraná favorece o ex-prefeito em São Paulo O ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PPB Paulo Maluf fez ontem nova investida para forçar a antecipação de uma aliança entre o PPB e o PFL no Paraná. Defensor declarado de um acerto com o partido do governador Jaime Lerner, Maluf disparou telefonemas para diversas lideranças do partido, cobrando posição e emitindo sinais de que pode, em caso de resistência, promover a dissolução da comissão provisória que responde pela sigla no Estado.
O primeiro a ser contactado por Maluf pelo telefone foi o próprio presidente estadual do PPB, deputado federal José Janene, tido como o principal obstáculo para a formalização da aliança. A ligação ocorreu por volta das 10 horas da manhã, na casa do deputado em Londrina. Foi o segundo telefonema de Maluf para Janene em dois dias. Ele (Maluf) me disse que o acordo político de São Paulo está pendurado por causa da indefinição daqui, relatou. Segundo Janene, Lerner acionou a cúpula nacional do PFL para engrossar a pressão sobre o PPB.
O ex-prefeito Paulo Maluf concentrou seus esforços ainda junto à ala pepebista lernerista. Nelson Meurer foi localizado pela assessoria do PPB nacional no seu gabinete em Brasília. A pressão é clara, mas não estamos mais no tempo da ditadura militar. Procuramos acordo com o Lerner há cinco meses. Tentei ser o interlocutor, mas não aconteceu. O governador procurou o caminho que ele acha ser o mais fácil, a direção nacional, e está levando a questão na barriga, avaliou.
Meurer garantiu que na conversa com Maluf deixou claro ao dirigente que uma coligação com o PFL de Lerner pressupõe espaço na chapa majoritária. Ou o Senado ou a vice, condiciona. Não estamos exigindo, e sim garantindo espaço. Queremos uma aliança de fato não só o beija-mão e o beija-pé do governador, declarou. Aliado de Maluf no processo de reaproximação com o PPB com Lerner, Meurer não aceita a pressão do comando nacional. Sou a favor da aliança, mas se houver dissolução da executiva estadual do PPB, vai haver bate-chapa e a maioria da executiva vai ter de nos vencer, ameaçou o deputado.


