O prefeito de São Paulo, Celso Pitta (PTN), chamou ontem o candidato a prefeito Paulo Maluf (PPB) de ‘‘mau-caráter’’. O prefeito participava da solenidade de início da campanha de vacinação de 90 mil crianças das 724 creches municipais (diretas e conveniadas), quando foi perguntado sobre o que achava de Maluf ter dito, na véspera, que apoiava a cassação do mandato dele.
‘‘É um mau-caráter’’, limitou-se a responder. A votação do impeachment de Pitta está marcada para quarta-feira, na Cãmara Municipal. A votação será secreta e tanto os vereadores da situação como os da oposição acreditam que Pitta será absolvido. O processo de cassação foi aberto a pedido da seção de São Paulo da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A entidade acusa o prefeito de 11 irregularidades no exercício do cargo. A maioria dos vereadores do partido de Maluf deve votar a favor de Pitta.
Já o relator do pedido de cassação e representante seção paulista da OAB, Edson Cosac Bortolai, acredita que as chances de Pitta na sessão de julgamento não são tão grandes. Para ele, o parecer final do relator da comissão processante (CP) da Câmara Municipal, Alan Lopes (PTB), é, na verdade, ‘‘os olhos da comissão’’. ‘‘Se o vereador Alan Lopes apontar um único item pela cassação do prefeito, vai ficar muito feio o plenário não o acompanhar, visto que ele leu, estudou e concluiu todo o processo’’, explicou Bortolai.
Segundo Bortolai, o relatório final é uma direção que será apontada aos membros da comissão e o vereador que votar contra o parecer do relator terá de se justificar com a sociedade. ‘‘Pela lógica quem votar contra estará votando por outra questão, ou seja, por interesses inconfessáveis’’, afirmou Bortolai.

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