Suspeito de omitir doações feitas por empresas à campanha para o governo do Estado, em 1998, e de beneficiar partidos políticos com o uso da máquina pública, o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) foi indiciado ontem por crime eleitoral pelo delegado federal Almir Otero. Depois de três intimações não atendidas, Maluf foi conduzido coercitivamente até a Casa de Custódia da Polícia Federal, onde depôs. Ele disse que não tinha conhecimento das intimações.
Foi o segundo depoimento no mesmo dia. Maluf soube que seria escoltado até a Polícia Federal ao final das 30 perguntas formuladas pelo promotor Silvio Marques, do Ministério Público (MP) de São Paulo. Marques apura a relação entre atos de improbidade atribuídos a Maluf, que administrou a cidade de São Paulo pela última vez entre 1993 e 1996, e as contas de que sua família é beneficiária na Ilha de Jersey, paraíso fiscal europeu. O ex-prefeito respondeu a todas com um ''nada a declarar''.
Na Polícia Federal, Maluf negou as acusações que levaram ao seu indiciamento e atribuiu a ação dos policiais a uma ''armação tucana''. ''Estive em todas as CPIs e no Ministério Público, o que prova que essa é mais uma violência e arbitrariedade dos tucanos'', disse. A pena prevista para crime eleitoral varia de um a cinco anos.
Flávio Maluf, filho do ex-prefeito, que depôs pela manhã no Ministério Público, seguiu a estratégia de defesa já adotada por seus familiares e se recusou a responder às perguntas que lhe foram dirigidas pelo promotor Sílvio Marques. O direito de calar é constitucional. Nenhum cidadão é obrigado a produzir provas contra si, tendo de se pronunciar somente na Justiça.
Em ocasiões anteriores, a família Maluf negou a posse ou a condição de beneficiária de contas no exterior. Maluf, que também nega envolvimento em atos de improbidade administrativa, atribui as acusações a ''petistas suíços''.
O ex-prefeito é réu em dois processos que apuram o superfaturamento de R$ 105,8 milhões das obras do Túnel Ayrton Senna. Outras obras viárias e o Plano de Atendimento à Saúde (PAS), criado em 1995 em substituição ao sistema de saúde municipal, estão sob investigação do Ministério Público paulista, sob suspeita de irregularidades.
O ex-prefeito já foi responsabilizado pela emissão irregular de Letras Financeiras do Tesouro Municipal (LFTM) para pagamento de precatórios no relatório final da CPI da Dívida Pública.

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