São Paulo - Flávio Maluf, filho do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) foi preso ontem, às 8h30, na sede da Polícia Federal em São Paulo. Ao contrário do pai, que se entregou na madrugada, antes mesmo de receber oficialmente voz de prisão, Flávio chegou algemado e dentro de um carro policial, escoltado ainda por outras três viaturas, todas com as sirenes ligadas.
Os dois tiveram a prisão preventiva decretada na noite de sexta-feira pela juíza da 2 Vara Federal, Sílvia Maria Rocha, que entendeu que em liberdade os Maluf poderiam atrapalhar o período de instrução penal, quando são ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. Esse período de instrução é fixado em 81 dias, tempo máximo que pode durar a prisão.
Contra Maluf e Flávio foi aberto um processo penal por acusação de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção passiva e formação de quadrilha. A soma das penas mínimas pelos crimes é de oito anos.
Se pai e filho não tivessem sido flagrados em escutas telefônicas tentando impedir o depoimento do doleiro Vivaldo Alves, conhecido como Birigui, a Polícia Federal, provavelmente eles responderiam ao processo em liberdade.
Birigui, que também é réu do processo e confessou ter movimentado cerca de US$ 161 milhões dos Maluf no exterior recebeu diversos telefonemas de Flávio. Pelas conversas, a juíza entendeu que existia uma motivação dos Maluf em tentar reverter o depoimento do doleiro que estava marcado para o dia 7 de julho deste ano, primeira vez que ele falou da conta do ex-prefeito nos Estados Unidos.
Maluf se entregou na sede da Polícia Federal às 0h20 de ontem. Ele chegou ao lado de advogados e seguranças em um santana preto. Visivelmente abatido, o ex-prefeito não conversou com jornalistas e entrou carregando uma bolsa.
À 1h30, Maluf foi conduzido em carro policial ao Instituto Médico Legal (IML) para exame de corpo de delito. No prédio, ele cumprimentou funcionários e andou livremente. O ex-prefeito voltou à PF cerca de uma hora depois.
Às 4h30, o advogado criminalista José Roberto Leal, chegou à sede da Polícia Federal com um colchão e um travesseiro para o ex-prefeito. Maluf ficou em uma cela de 2,5 m por 2,5 m, sem janelas e com um banheiro. O local é vigiado por câmeras e a porta tem trava elétrica. Ontem de manhã, o assessor dele, Roque Carneiro, que trabalha há 38 anos com Maluf, levou uma mala grande com roupas, produtos de higiene e livros.
Flávio, que chegou às 8h30 de sábado foi levado logo em seguida para o IML, onde permaneceu cerca de uma hora também para exame de corpo de delito. Ele e o pai, que têm nível escolar superior, deverão permanecer juntos na cela. Às 11h30, chegou uma mala grande, um colchão e um travesseiro para Flávio.
Os advogados criticaram ontem o fato de não terem tido acesso à ordem de prisão nem à denúncia (acusação formal do Ministério Público). Eles informaram que deverão entrar na segunda-feira com pedido de habeas corpus.
Pelas conversas gravadas que embasam o pedido de prisão, Flávio telefonou ao menos três vezes para o doleiro Birigui, a quem convidou para uma conversa. Num dos diálogos, Flávio, após referir-se a Birigui como ''amigo'', pediu que não se esquecesse da conversa que tiveram.

mockup