Maluf deve ser convocado para falar sobre depósitos
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segunda-feira, 11 de junho de 2001
Marcus Lopes Agência EstadoDe São Paulo 
A suspeita de que depósitos de US$ 200 milhões descobertos pelo Ministério Público de São Paulo na Ilha de Jersey (Grã-Bretanha) sejam atribuídos ao ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) repercutiram na Câmara de São Paulo. Maluf deve ser convocado, novamente, para prestar depoimento na CPI que investiga a evolução da dívida pública do município. Ele precisa explicar a origem desse dinheiro, afirmou ontem a presidente da CPI, vereadora Anna Martins (PCdoB).
O principal alvo da comissão é a emissão de Letras Financeiras do Tesouro Municipal (LFTMs) durante a gestão de Maluf. A suspeita da CPI é que parte do dinheiro obtido com a venda dos títulos que deveria ter sido aplicado no pagamento de precatórios tenha sido desviada, principalmente, para o pagamento de grandes obras realizadas na gestão Maluf.
A partir do momento que os depósitos no exterior foram descobertos, uma nova frente de investigações deve ser aberta, segundo a presidente da CPI. Não é possível que o lucro da Eucatex tenha sido tão grande assim, ironizou a vereadora, referindo-se à empresa de propriedade da família Maluf. A data do depoimento do ex-prefeito na CPI ainda não foi definida.
A porta-voz da polícia da Ilha de Jersey, Victoria Harper, não quis comentar a suposta existência e o bloqueio dos depósitos. Os recursos atribuídos ao ex-prefeito e ex-governador de São Paulo teriam sido bloqueados por autoridades locais em dezembro do ano passado, depois da constatação de sua origem ilícita.
Victoria disse à Agência Estado que a única pessoa que poderia fornecer alguma informação a respeito do assunto é o chefe da Unidade de Inteligência Financeira da Polícia de Jersey, inspetor David Manty. Ele está de férias e ainda não sabemos quando retorna. Vamos ter que esperá-lo para confirmar isso, disse. A embaixada brasileira em Londres disse que não tratou do assunto em nenhum momento.
A ilha de Jersey a maior do Canal do Mancha, com 85 mil habitantes é da Coroa Britânica e abriga dezenas de bancos de investimentos. A sua administração e os seus sistemas fiscal e legal são independentes do Reino Unido. (Colaborou João Caminoto/Agência Estado, de Londres)


