Agência Estado
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Fora do páreoACM e Paulo Maluf, que desistiu de disputar a Presidência: seu interesse é garantir o governo de SP e a reeleição de CardosoO ex-prefeito paulistano Paulo Maluf disse ontem ao presidente Fernando Henrique Cardoso que será candidato a governador do Estado de São Paulo em 98 e não a presidente da República. Maluf anunciou que vai propor na convenção do PPB, no próximo dia 11, apoio à reeleição de FHC. Ele exigiu que seu partido tenha participação semelhante à do PFL e do PSDB no comitê da campanha presidencial. Segundo ele, isso ficou acertado com o presidente.
O ex-prefeito disse que a decisão de ser candidato a governador já havia sido tomada ‘‘discretamente’’ há três meses, em jantar com FHC. Disse que decidiu torná-la pública agora para mostrar que é ‘‘coerente e não oportunista’’, já que o Plano Real corre riscos. ‘‘O apoio que damos hoje ao presidente é muito importante, porque é exatamente neste momento que o Real pode claudicar. Eu disse ao presidente que, exatamente porque existe um eventual ataque especulativo internacional ao Real, é que nós iremos, no Congresso, dar todo apoio para que as reformas passem’’, disse.
Maluf disse que não pediu ao presidente apoio para sua candidatura a governador, mas deixou claro que FHC não deve também fazer campanha para nenhum candidato dos partidos aliados, entre eles o governador tucano Mário Covas (SP), que tem resistido à idéia de sair candidato à reeleição. ‘‘O presidente vai ter de nacionalizar sua campanha, principalmente nos Estados onde ele tem apoio de duas ou três correntes. Nós, que vamos apoiá-lo, deveremos ter suficiente inteligência para não pedir que ele regionalize a campanha nos Estados. Nosso primeiro interesse é a eleição do presidente.
Para Maluf, os candidatos a governador dos partidos aliados não devem pedir que FHC interfira na campanha dos Estados, sob risco de prejudicar sua própria candidatura à reeleição. ‘‘Por exemplo, no Rio de Janeiro ele tem o apoio do PFL, com César Maia, e do PSDB, com Marcello Alencar. Se ele apoiar um dos dois, evidentemente vai desagradar os eleitores do outro candidato. Então, quem pedir isso ao presidente vai prejudicá-lo’’, disse.
O ex-prefeito citou o caso da candidatura do atual senador José Serra (PSDB-SP) à prefeitura paulistana, em 96. ‘‘O senador pediu e teve o apoio do presidente. Mesmo assim, tirou quarto lugar. Há que se perguntar: o senador ajudou o presidente ou isso mostrou que o presidente, naquela ocasião, não transferiu seu prestígio?, perguntou Maluf. Ele disse que o ‘‘dever’’ dos candidatos a governador dos partidos aliados é ‘‘facilitar’’ a vida de FHC.
Maluf fez questão de lembrar seu favoritismo nas pesquisas de opinião, dizendo estar numa ‘‘posição bastante confortável’’. Maluf disse que a primeira razão para ter desistido da candidatura ao Palácio do Planalto é sua terceira colocação nas pesquisas de opinião. ‘‘Ou você tem votos para ganhar uma eleição ou não tem’’, disse Maluf, contanto uma história, para ilustrar o argumento. ‘‘Um dia um soldado chegou derrotado e o general perguntou porque ele perdeu a batalha. O soldado disse que tinha 20 razões. O general perguntou qual era a primeira. Ele respondeu: acabou a munição. O general disse, então, que as outras 19 não contavam’’, disse.
O ex-prefeito afirmou que FHC é quem está em melhor situação de implantar as reformas no país, ‘‘quem está patrioticamente com todas as condições políticas e de apoio para implantar verdadeiramente no Brasil uma economia de mercado com justiça social’’.

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