O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) depôs ontem, como investigado, na CPI da Dívida Pública da Câmara de São Paulo. Até então, ele figurava apenas como testemunha nos trabalhos que investigam o crescimento de 114% da dívida da prefeitura durante a sua gestão (93-96). Com a quebra de seus sigilos fiscal, telefônico e bancário determinada pela Justiça, a CPI entendeu que Maluf estava sob investigação.

A decisão beneficia Maluf. Em primeiro lugar, como investigado, Maluf não é obrigado a produzir provas contra ele mesmo: se ele não disser a verdade, não estará cometendo crime de falso testemunho. Em segundo lugar, a nova condição dá a ele o direito de responder às perguntas apenas perante a Justiça.

Após confusão, bate-boca entre os vereadores e a suspensão da sessão por quase meia hora, a vereadora Ana Martins (PC do B), que preside a comissão, decidiu que Maluf estava depondo como investigado. ''Sei que a senhora é do PC do B, mas aqui não é a Albânia'', disse Maluf a Ana. Maluf contou ainda com a ajuda do vereador Salim Curiati Jr. (PPB), que tomou o lugar do vereador Edvaldo Estima (PPB) na CPI para defender o ex-prefeito.

Para Ana, o desvio de recursos, que pode ter causado o aumento da dívida pública do município, abasteceu a conta mantida pelo ex-prefeito na Ilha de Jersey. Em junho, a reportagem revelou que ele e a família são beneficiários de cerca de US$ 200 milhões depositados no paraíso fiscal.

Além da CPI, o MP de São Paulo também apura a relação entre o dinheiro no exterior e supostas irregularidades cometidas por Maluf. Até as 20h45, apenas uma pergunta sobre o paraíso fiscal havia sido feita.

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