Maluf deixa hospital e critica reeleição
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de janeiro de 1997
Agência Estado De São Paulo 
Agência EstadoDe volta ao lar Maluf sai do hospital e deverá ficar em repouso durante 15 dias: campanha sem trégua contra a reeleição
O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) deixou ontem o Hospital Sírio Libanês, onde se submeteu a uma cirurgia para a retirada da próstata, e já começou a fazer política. Ainda na porta do hospital, Maluf criticou a emenda constitucional que permite ao presidente Fernando Henrique Cardoso disputar a reeleição. Minha campanha não é contra a tese, mas a favor da reeleição sem casuísmo, sem tapeação, com uma ampla reforma política, defendeu. Não a favor da nomeação de um presidente já existente, completou.
Maluf não acredita que a emenda da reeleição seja aprovada este mês, durante a convocação extraordinária do Congresso. Falta ao governo credibilidade para aprovar esse casuísmo, afirmou. Ele argumenta que o governo está blefando quando afirma possuir votos suficientes para passar a emenda. Ele não tem mais do que 250 votos, calcula.
À tarde, Maluf recebeu, em sua casa, o presidente nacional do PPB, senador Esperidião Amin (SC), e o deputado federal Delfim Neto (PPB-SP).
O deputado Delfim Neto disse não acreditar que o governo pretende votar a reeleição em janeiro para aproveitar a ausência de Maluf em Brasília. Não é preciso a presença dele para convencer os deputados do PPB, as pessoas se convencem pelos argumentos, afirmou. De acordo com o ex-ministro, os argumentos são de que o governo deveria incluir a reeleição em uma reforma política e construir mecanismos para impedir que haja abuso do poder econômico.
Durante os seis dias em que esteve internado, o ex-prefeito manteve as articulações políticas, por telefone e fax, e recebeu visitas de políticos aliados. Não parei minha atividade um minuto em função da cirurgia, disse Maluf. Ele foi hospitalizado na noite de quarta-feira, após transmitir o cargo de prefeito ao sucessor, Celso Pitta (PPB), e submetido à cirurgia (prostatectomia radical) na manhã de quinta. O ex-prefeito continua trabalhando, de forma que não há nenhum problema a não ser que o Serjão mande cortar as linhas telefônicas, disse Delfim, referindo-se ao ministro das Comunicações, Sérgio Motta.
Preocupado com a possível repercussão negativa da doença em seus planos políticos, Maluf repetiu várias vezes que está curado. Estou com minha saúde zero quilômetro. O ex-prefeito aproveitou para dar conselhos de prevenção. Não tenham preconceito, façam o exame de toque, porque o diagnóstico precoce elimina o problema.
De acordo com o boletim médico divulgado ontem, as chances de cura definitiva do paciente são extremamente elevadas e nenhum tratamento adicional será necessário. O ex-prefeito deverá permanecer em repouso relativo por 15 dias e poderá retomar todas as atividades em um mês. Ele terá de submeter-se a exames preventivos periódicos a cada seis meses, durante cinco anos, segundo o boletim assinado pelo urologista Miguel Srougi, médico que operou Maluf.


