Arquivo FolhaO presidente nacional do PPB, Paulo Maluf, trabalhou ontem em Brasília pela aprovação da quebra da estabilidade, mas avisou que o governo perderá seu apoio se não apresentar medidas corretivas à política econômica. ‘‘Como disse há três semanas, juros de 4% são pornográficos e se o governo mantiver esse nível de juro acabará quebrando o que sobrou da iniciativa privada’’, disse Maluf. ‘‘Ao elevar as taxas dos juros, o governo resolveu o problema dele, mas fez uma Lei Áurea ao contrário, escravizando mais de 150 milhões de brasileiros’’.
O ex-prefeito de São Paulo defende a desvalorização do câmbio. ‘‘Não apoio o governo sistematicamente, mas as medidas boas que ele tomar’’, ressaltou. As declarações foram feitas à tarde, no intervalo entre as conversas e telefonemas de Maluf para os pepebistas que resistiam à quebra da estabilidade.
Antes disso, Maluf teve um encontro com o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que vem fazendo oposição ao governo na medida provisória que aumentou o imposto de renda da pessoa física. Apesar das críticas ao governo, os dois insistem que apóiam a reeleição de FHC. Ao mesmo tempo, dão o recado ao governo de que ele não governa apenas com a equipe econômica, mas depende substancialmente de sua base parlamentar.
O governo deu sinais de que não despreza o apoio de Paulo Maluf. Depois das declarações do ministro Sérgio Motta (Comunicações) em favor de Maluf, na terça-feira - recebidas como elogio -, o presidente Fernando Henrique também fez um afago no aliado pepebista ontem durante telefonema. Toda a mágoa de Maluf tinha origem nas críticas que recebeu de parlamentares tucanos nos últimos dias, que negligenciaram seu apoio à reforma.
O ex-prefeito está insatisfeito com a demora do governo para liberar recursos que ajudarão a prefeitura de São Paulo. Ao todo, são cerca de R$ 300 milhões via BNDES e R$ 200 milhões pela Caixa Econômica Federal. Maluf disse que não fala pela prefeitura de São Paulo e que não fez acordo. Mas recebeu ontem duas ligações do ministro da Fazenda, Pedro Malan.

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