Maluf chora na convenção do PPB
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domingo, 13 de abril de 1997
Agência Folha 
SÃO PAULO - O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) apelou para o discurso religioso, chorou e saiu aplaudido hoje da convenção do PPB paulista. Para a platéia de cerca de 2 mil pessoas, Maluf iniciou seu discurso dizendo que todos respeitam a cristandade e lembrou a transitoriedade da vida.
Em seguida, citou todos os cargos públicos que ocupou, algumas obras realizadas. Política se faz com amor, disse Maluf com a voz embargada, antes de pegar um lenço. O tom humilde ganhou corpo com a admissão implícita de que seu projeto está ameaçado. A vida pública é como uma montanha russa. Às vezes estamos em cima e às vezes estamos embaixo,afirmou.
Trouxe um irmão afro de cor para ser prefeito, declarou, referindo-se ao prefeito Celso Pitta, seu afilhado político. Depois, Maluf fez uma rápida provocação ao PSDB do presidente Fernando Henrique Cardoso, a quem atribui as dificuldades causadas a Pitta pela CPI dos Precatórios. Depois de enumerar os partidos mais votados nas últimas eleições municipais, o ex-prefeito disparou: O PSDB foi o grande derrotado nas capitais.
Assim como fez anteontem, Maluf procurou evitar a imprensa. Em rapidíssima entrevista, fez a defesa de Pitta. Tenho certeza que Celso Pitta é um homem de bem, honrado, repetiu três vezes. Depois, disse que não se referiu à CPI no discurso por estar num ato partidário e que o caso já estava sendo investigado pela CPI do Senado.
Maluf não quis responder se considerava correto um homem público aceitar uma cortesia de empresa, como o prefeito Pitta alegou ter feito no caso do aluguel de um carro para sua mulher, Nicéa. O senador Epitácio Cafeteira (PPB-MA), líder da bancada do partido no Senado, comprometeu os políticos ao defender Pitta no episódio do aluguel do carro. Pitta preferiu alugar um carro quando qualquer político usa o carro da repartição, afirmou. Para ele, a atitude de Pitta deveria gerar elogios.
O prefeito de São Paulo, Celso Pitta, mencionou a CPI em seu discurso. Os adversários queriam que ficássemos paralisados com a situação adversa dessa CPI, declarou para argumentar que a administração paulistana não está parada. O ex-deputado Marcelino Romano Machado foi escolhido por Maluf para
presidir o PPB paulista, em substituição ao deputado Vadão Gomes. Machado é acusado de ser funcionário fantasma da Assembléia Legislativa de São Paulo, o que é negado por ele e por Maluf.


