Maluf, alvo predileto da metralhadora de Motta
Metralhadora, trator, agressivo. Esses eram apenas alguns dos adjetivos usados pelos adversários políticos de Sérgio Motta para classificá-lo. O alvo preferido do ministro era o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB). Esse chegou até a ser classificado como rejeito. É um dejeto do processo mais podre que esse país já teve, completou o ministro em setembro do ano passado, em referência ao fato de Maluf ter participado do regime militar (1964-1985).
O presidente nacional do PPB chegou até a ser chamado de Topo Giggio, em outubro de 1996. Não sei nem se o Maluf manda no partido dele. Ele é uma espécie de grande boneco, o Topo Giggio. É ridículo esse Maluf , disse Motta.
Por conta das declarações, Sérgio Motta chegou a ser condenado a pagar indenização de mil salários mínimos (R$ 120 mil) a Maluf por injúria (ofender dignidade ou decoro de alguém) e difamação (imputar fato ofensivo à reputação). Em 10 de outubro último, o juiz Newton de Oliveira Neves, da 36ª Vara Cível da Justiça de São Paulo, proferiu a sentença. Neves considerou ofensivas 11 declarações de Motta publicadas na imprensa no fim de setembro de 96 - reta final do 1º turno da campanha à prefeitura paulistana.
Comparações também eram o forte de Motta. O prefeito de São Paulo, Celso Pitta, afilhado político de Maluf, foi chamado de iogurte na época das
eleições. Não podemos eleger um produto, um iogurte, um cara que foi selecionado (para disputar a eleição municipal) pelo departamento pessoal da Eucatex, afirmou o ministro, em referência à empresa da família de Paulo Maluf onde Pitta trabalhou.
Em fevereiro de 1997, o ministro cortejou o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), sobre sua vitória para a presidência do Senado: Nós dois fazemos uma dupla impossível. Mas parece que o elogio não surtiu efeito. Meses depois, ACM disparou: O ministro Sérgio Motta é bom calado. Falando, é sempre um desastre, disse, sobre o fato de Motta ter criticado a atuação do governo.
As críticas do ministro não tinham alvo fixo. Era uma metralhadora, como gostavam de dizer seus adversários. Porém, como sempre, Motta rebatia. Falei demais, é verdade. Mas às vezes alguém precisa falar, disse ele no ano passado.
Certa vez, Motta ultrapassou as barreiras nacionais e atacou a estatal francesa de telecomunicações e o governo do país: A France Télécom é mais ineficiente que a Telebrás. É um paquiderme burocrático, produto daquele Estado francês, que é um Estado absolutamente burocrático.
LutoAs atividades do Ministério das Comunicações foram suspensas ontem em razão da morte do ministro Sérgio Motta. Todos os funcionários, em Brasília e nas delegacias estaduais, foram dispensados às 9h30, depois que informes com a comunicação da morte foram distribuídos pela sede do ministério.
(Das agências)





