SÃO PAULO - O ex-prefeito Paulo Maluf (PPB) acusou ontem o governo federal de grampear os telefones da sua casa, nos Jardins, e de transformar o Palácio do Planalto no ‘‘maior corruptor’’ do País. ‘‘Se tem um telefone grampeado em São Paulo, é o meu’’, afirmou. Principal adversário da reeleição, Maluf transformou sua casa em quartel-general das articulações contra a aprovação da emenda na Câmara.
‘‘Tenho minha matéria-prima, que são minhas cordas vocais e o meu telefone’’, disse Maluf, acrescentando ter ‘‘certeza’’ de que suas conversas estão sendo gravadas pelo Ministério das Comunicações. O ex-prefeito, no entanto, disse que não pretende tomar nenhuma medida jurídica contra o governo. Até as 20 horas de ontem, nem a Telesp nem o Ministério das Comunicações quiseram comentar as declarações do ex-prefeito.
Maluf, que se recupera de uma cirurgia de extração da próstata, rechaçou qualquer possibilidade de acordo com o governo em troca de cargos ou ministério para o PPB. ‘‘Comigo não existe fisiologismo, eu não componho por ofertas.’’ Embora o presidente do PPB, senador Esperidião Amin (SC), tenha admitido a vitória do governo na votação da emenda da reeleição, Maluf insistiu: ‘‘O governo blefa quando diz que tem 330 ou 340 votos.’’ Sobre Amin, ele disse que o senador ‘‘continua merecendo a confiança de todos’’.
Segundo Maluf, o governo tem apenas 200 votos a favor da reeleição e precisa de mais 108 para aprovar a emenda, enquanto os que são contrários precisam apenas de mais 18. ‘‘O governo está querendo fazer somente um casuísmo espúrio para perpetuar uma pessoa no Poder, quer uma fujimorização do Brasil’’, disse.

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