O presidente nacional do PPB, Paulo Maluf, disse ontem em Brasília que o ministro José Serra (Saúde), ao entregar para a imprensa as fitas do grampo telefônico e os papéis sobre a suposta conta do presidente Fernando Henrique Cardoso em paraíso fiscal, prestou um ‘‘desserviço’’ ao governo. ‘‘O ministro Serra deu as fitas e os documentos. Ele pensou que estava prestando um grande serviço ao País, mas prestou um desserviço ao governo. Tudo o que aconteceu teve início e causa na indiscrição do ministro’’, afirmou Maluf.
Em resposta às declarações do pepebista, o ministro José Serra disse que ‘‘Maluf sempre faz questão absoluta de não decepcionar aqueles que o consideram nefasto. Essa é mais uma dele. Vou olhar (o que Maluf disse) e vou responder’’. O ministro da Saúde afirmou que não vai processar Maluf: ‘‘Ele já tem 40 processos, não preciso processá-lo’’.
O grampo telefônico obtido no BNDES revelou diálogos sobre a privatização do Sistema Telebrás. Os dois casos resultaram na demissão do ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações), do secretário-executivo da Câmara de Comércio Exterior, José Roberto Mendonça de Barros, e do presidente do BNDES, André Lara Resende.
Cópias de papéis oferecidos ao PT por um emissário de Maluf, o ex-presidente do Banco do Brasil Lafayette Coutinho, indicavam uma suposta sociedade de Serra, do ministro Sérgio Motta (que morreu em abril), do governador Mário Covas (PSDB-SP) e do presidente Fernando Henrique Cardoso numa conta em paraíso fiscal do Caribe.
Maluf disse que a apuração do escândalo grampo telefônico agora está sob a responsabilidade de FHC, do Ministério Público e da Polícia Federal.
O pepebista se reuniu ontem de manhã com o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), para tratar da formação de um bloco político entre o PPB e o PFL. ‘‘O bloco será discutido para a próxima legislatura (que se inicia no dia 1º de fevereiro)’, afirmou.
Ao sair do encontro com ACM, Maluf não quis falar sobre a criação do Ministério da Produção. ‘‘Criação de ministério e nomeação de ministro são, constitucionalmente e legalmente, de fórum íntimo do presidente’’, disse. No início da tarde, Maluf participou da reunião da Executiva Nacional do PPB para discutir o pacote de ajuste fiscal.
Segundo Paulo Maluf, o partido continuará apoiando os projetos do governo que julgar de interesse do País. ‘‘A posição do partido é a mesma: ajudar não só o governo, mas o Brasil. O PPB continua na base do Brasil’’, afirmou.Dida Sampaio/Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)ParceiroMaluf discursa na reunião de ontem em Brasília: PPB continua na base do governoLuiza Damé
e Raquel Ulhôa
Agência Folha

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