Lilian Christofoletti
Folhapress
  Brasília - Paulo Maluf, preso há 13 dias na Polícia Federal de São Paulo, acusou o delegado Protógenes Queiroz de ‘‘subornar’’ um doleiro para tentar incriminar a ele e ao filho Flávio. A declaração foi feita ontem por meio de nota assinada pela assessoria do ex-prefeito. A acusação de Maluf é baseada em escutas telefônicas, feitas pela própria PF, que captaram conversas entre o doleiro Vivaldo Alves, o Birigüi (principal acusador do ex-prefeito), e um interlocutor não identificado.
  Nos diálogos, Birigüi afirma que receberia um ‘‘presente’’ do delegado ao final do processo: ‘‘Do delegado, ele terminou dizendo para mim no final o seguinte: ‘Olha, no final disso tudo, eu vou te dar um presente’. Eu falei: ‘‘Mas é material?’. Ele falou: ‘Lógico que não’. Então eu entendi que ele vai me aliviar no inquérito dele.’’
  Para a assessoria do ex-prefeito, a conversa ‘‘prova e deixa claro aquilo que já era evidente: o delegado subornou o doleiro com a promessa de livrá-lo de ser condenado, por meio dos benefícios da chamada delação premiada, desde que ele [Birigüi] mentisse e incriminasse Maluf e Flávio’’.
  A degravação foi divulgada por advogados de Maluf na noite de ontem, após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) rejeitar o pedido de liminar em habeas corpus para o ex-prefeito e para o filho. A conversa entre Birigüi e o interlocutor foi gravada no dia 11 de julho. Quatro dias antes, pela primeira vez, o doleiro havia acusado o ex-prefeito de remeter ilegalmente US$ 161 milhões para os EUA. Ainda em julho, no dia 27, Maluf informou à Justiça que Birigüi o havia chantageado para não depor contra ele.
  Na conversa gravada, o doleiro diz ainda que o delegado prometeu ‘‘não incomodá-lo’’ nos novos negócios. O interlocutor afirma que o ex-prefeito e filho ‘‘foram burros’’ por não terem pagado uma quantia em dinheiro para o doleiro. ‘‘Na conversa entre os dois doleiros, fica claro que, se os Maluf tivessem concordado com a chantagem, nada disso estaria acontecendo com eles’’, diz a nota. Na nota, Laranjeira compara a Polícia Federal à Gestapo -polícia secreta alemã ao tempo do nazismo.
  A divisão de Comunicação Social da PF divulgou nota ontem em que afirma que o único ‘‘presente’’ que foi proposto a Birigüi foi o benefício legal da delação premiada (redução de pena em troca de informações) e que essa proposta foi feita na presença de membros do Ministério Público, que entenderam também que o doleiro ‘‘colaborou satisfatoriamente com as investigações’’. A assessoria informou ainda que o próprio acesso que a defesa teve à conversa gravada ‘‘só vem demonstrar a isenção no trabalho da PF, ficando claro que não há nenhuma intenção de omitir qualquer áudio captado para beneficiar o investigado Vivaldo Alves’’.
  Promotores e procuradores que atuam na investigação também saíram em defesa do delegado. Disseram que não existiu pressão para que Birigüi incriminasse Maluf e que o delegado sempre agiu corretamente. A Justiça Federal instaurou um inquérito para apurar o vazamento de informações.

mockup