Edinelson Alves
De Brasília
Especial para a Folha
O presidente da CPI do Narcotráfico, deputado Magno Malta (PTB-ES) – foto–, afirmou ontem que as investigações sobre o narcotráfico e a lavagem de dinheiro devem ser aprofundadas no Paraná. ‘‘Como a própria cúpula da segurança estava envolvida, o que foi para nós extremamente chocante, a Assembléia e as câmaras municipais devem abrir suas CPIs, urgentemente. A nossa é nacional e termina no dia 8 de maio, mas iremos repassar todas as informações para os paranaenses’’, afirmou Malta, sem saber da decisão tomada ontem pelos deputados estaduais, que abortaram a transformação da CEI.
Malta aprovou as mudanças na área de segurança promovidas pelo governador Jaime Lerner, mas cobrou a nova cúpula da Polícia Civil a engrossar as fileiras do combate ao crime organizado. ‘‘Em termos de envolvimento das autoridades policiais com o crime organizado o Paraná atingiu índices acima do Acre, o que é lamentável’’.
Para o presidente da CPI, o que ocorreu no Paraná deve servir como exemplo para todos os Estados. ‘‘O governador não pode escolher qualquer político ou correligionário para ocupar cargos de confiança porque a coisa pode acabar muito mal’’. Magno Malta reforçou que a CPI quer ouvir o ex-Secretário de Segurança, Cândido Martins. ‘‘Ele já foi convocado e terá que vir a Brasília depor’’.
O deputado federal Roque Zimmermann (PT) disse ontem que uma das principais sugestões que a sub-relatoria do Paraná vai encaminhar para o relatório final CPI do Narcotráfico é que o delegado de polícia não mais seja nomeado por políticos. ‘‘A nomeação faz com que não sejam os competentes e honestos que ocupam os cargos, mas os apadrinhados que vão ajudar os seus padrinhos se eleger’’. O parlamentar paranaense reafirmou que a CPI espera ouvir, provavelmente na próxima quinta-feira, os depoimentos de Mauro Canuto, Mário Ramos e ainda o ex-delegado Ricardo Noronha.