Malan pressiona e consegue adiar minirreforma
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quinta-feira, 28 de novembro de 2002
Agência Folha 
Brasília- Pressão do ministro Pedro Malan (Fazenda) e a intervenção do presidente Fernando Henrique Cardoso provocaram o adiamento para a próxima semana da votação da medida provisória 66, que estabelece uma minirreforma tributária e garante uma arrecadação de R$ 2 bilhões para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.
Malan pediu o adiamento ao relator da MP, Benito Gama (PMDB-BA), com o argumento de que seria importante acabar com a cumulatividade na cobrança do PIS-Pasep, item que os líderes partidários haviam retirado da medida provisória.
''Não podemos perder a oportunidade de acabar com a cobrança cumulativa desse imposto'', disse Malan a Benito. O deputado também conversou com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, que propôs um prazo maior de discussão para que a Câmara chegue a um projeto mais equilibrado.
Durante solenidade realizada no Clube do Exército, no final da tarde de ontem, FHC foi questionado sobre se havia pedido o adiamento da votação da MP. ''Pedi sim'', respondeu, sem revelar a razão.
Um conjunto de fatores pesou para o adiamento da votação, entre eles a decisão do PSB, um partido aliado do PT, de votar contra a manutenção da alíquota de 27,5% do IRPF (Imposto de Renda da Pessoa Física), o quórum baixo na Casa ontem, mas, sobretudo, declarações feitas pela manhã pelo líder da bancada petista na Câmara, João Paulo (SP), e pelo deputado Walter Pinheiro (PT-BA), consideradas desastrosas pelo PSDB.
No programa ''Bom Dia Brasil'', da TV Globo, Pinheiro afirmou que o partido vai ''mostrar à sociedade brasileira qual o verdadeiro quadro que foi entregue ao governo do PT''. João Paulo afirmou que o PT vai ter que mostrar ao país o quadro real do atual governo.
Centrais sindicais- Depois da ''enquadrada'' que movimento sindical levou do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, anteontem, líderes sindicais tentaram pôr panos quentes na disputa sobre os rumos da reforma na estrutura sindical. Em reunião realizada ontem na sede da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), representantes de centrais sindicais e confederações, como Força Sindical, Social Democracia Sindical (SDS) e a CGT, resolveram convidar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) para uma plenária que será realizada no dia 10, na Casa de Portugal, em São Paulo. O objetivo é discutir uma pauta mínima comum para a reforma da estrutura sindical e também um posicionamento sobre as reformas trabalhistas, tributária e previdenciária.
A idéia inicial era convocar uma reunião de todas as entidades, menos a CUT, uma vez que a maioria delas se opõe às propostas da CUT de acabar com o imposto sindical obrigatório e instituir a pluralidade sindical - o que permitiria a criação de mais de um sindicato de por categoria por região.


