Os ministros da Educação, Paulo Renato Souza, e da Sa© úde, José Serra, cotados para concorrer à sucessão do presidente Fernando Henrique Cardoso, deixaram claro ontem em Sorocaba (SP) que não gostaram da inclusão do ministro da Fazenda, Pedro Malan, na disputa. O nome do ministro passou a fazer parte da lista de presidenciáveis depois que o presidente o convidou para filiar-se ao PSDB. Serra não quis falar sobre o assunto, mas demonstrou irritação com a pergunta sobre a filiação de Malan.
‘‘Não falo sobre isso, não vim aqui para falar de política’’, disse, interrompendo a coletiva à imprensa. Diante da colocação de que seu nome também estava bem cotado, disparou: ‘‘Só quero ser forte como ministro.’’ Paulo Renato, porém, deu outra interpretação para o gesto do presidente. ‘‘Convidar o Malan para o PSDB foi uma boa idéia, pois ele seria bem-vindo, como militante, em qualquer partido, mas candidatura ainda é uma questão em aberto.’’
Segundo ele, o ministro da Fazenda tem uma folha de serviços prestados ao País, mas isso não o eleva à condição de presidenciável. ‘‘É uma pessoa que vem ajudando o presidente Fernando Henrique há oito anos e, para prosseguir na vida pública, tem que ser candidato, mas não necessariamente à presidência.’’ Souza lembrou que Malan é do Rio de Janeiro e pode ser candidato ao governo daquele Estado. ‘‘Tem também o Senado’’, acrescentou. Para ele, a filiação tem ainda que passar pelo crivo do PSDB do Rio. Ao ouvir nova pergunta sobre a candidatura Malan, retrucou com irritação: ‘‘Candidato a quê?’’
Serra e Paulo Renato participaram de mais uma edição do Programa Avança Brasil, realizado pela Associação Brasileira dos Municípios (ABM) com apoio do governo federal. O evento, realizado pela primeira vez numa cidade do interior, levou a Sorocaba também os ministros Andréa Matarazzo, da Comunicação, Ovídio de Angelis, de Desenvolvimento Urbano, e Alberto Mendes Cardoso, da Segurança Institucional da Presidência. Dos 100 prefeitos convidados, 38 compareceram a um evento que atraiu também dezenas de vereadores e secretários municipais. Serra e Paulo Renato fizeram discursos políticos, ensinando aos prefeitos o ‘‘caminho das pedras’’ para obter recursos dos programas governamentais.
‘‘O governo paga um terço dos custos do Programa de Saúde da Família, por isso conclamo os prefeitos a aderirem’’, afirmou Serra. Ele disse que o governo federal passará a distribuir também os remédios, cerca de 30 medicamentos básicos. ‘‘As pessoas vão receber em suas casas.’’ Serra acenou com recursos também para o controle da tuberculose. ‘‘Pagamos um dinheiro extra de quase R$ 100,00 para cada caso novo descoberto.’’ O combate à mortalidade infantil rende também dividendos políticos, segundo ele. ‘‘Não vejo nada melhor para um prefeito que uma queda nos índices.’’ O programa de atendimento à gestante tem verba, lembrava: ‘‘Nós damos o dinheiro, R$ 90,00 para cada mulher que tiver acompanhamento da gravidez ao pós-parto.’’
O ministro Paulo Renato preferiu a auto-promoção. ‘‘A educação é a área mais bem avaliada do governo Fernando Henrique, até melhor que a área da inflação’’, disse, numa referência indireta ao projeto de controle da inflação, do ministro Malan. Souza lembrou ter sido secretário do ex-governador Franco Montoro e assumiu a paternidade da municipalização da merenda no âmbito nacional.
Entusiasmado com a melhoria nos índices de escolaridade apontada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi enfático. ‘‘Isso de trazer os pobres para a escola, fomos nós que fizemos.’’ Ele também convidou os prefeitos a aderirem ao Programa Bolsa-Escola, que dará R$ 15,00 para cada criança carente do ensino fundamental que frequentar a escola. ‘‘Estou empenhado nesse grande projeto’’, disse, lembrando que os prefeitos é que vão gerenciá-lo. Ele dispôs-se a novos encontros para falar do projeto. ‘‘Não perco reunião com prefeito.’’
Os prefeitos dividiram-se entre os dois ministros. ‘‘O Paulo Renato, além de mais simpático, está mais ligado aos municípios’’, disse Élbio Trevisan (PTB), de Cesário Lange. ‘‘Gosto do Paulo Renato, mas o Serra tem mais liderança’’, afirmou João Batista Machado (PMDB), prefeito de Tapiraí.

mockup