Agência Estado
De Brasília
Aliados políticos de FHC reagiram ontem com irritação às declarações do ministro da Fazenda, Pedro Malan, advertindo que o governo tomará medidas compensatórias para resolver a perda de receita com a derrubada da contribuição dos inativos, independentemente do apoio do Congresso. ‘‘Não creio que ele tenha dito isso’’, afirmou o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA). ‘‘Seria de tal inabilidade, que não estaria à altura de um ministro da Fazenda como o Pedro Malan’’, acrescentou.
No fim da tarde de anteontem, o ministro disse que o governo anunciaria ainda esta semana um conjunto de medidas para compensar os R$ 2,3 bilhões que serão perdidos com a suspensão da cobrança da contribuição previdenciária dos inativos, iniciativa rechaçada pelos líderes e presidentes dos partidos aliados ao governo em reunião promovida por FHC na segunda-feira. A equipe econômica foi vencida pelos políticos, que convenceram o presidente de que não há clima para aprovar no Congresso medidas que elevem impostos.
Ontem, ACM admitiu que o ideal seria encontrar um consenso em torno das medidas, mas, como que isso é impossível, o governo terá de confiar na base de sustentação política. ‘‘Está na hora de o Planalto mostrar força, mostrar que tem uma base aliada que o apóia’’, frisou ACM, lembrando que, se não conseguir o apoio que precisa, o governo deveria reformular a aliança.
Em busca de um pacto entre governo e oposição para conseguir solucionar o déficit da Previdência, FHC convocou oito governadores para uma reunião em Brasília, no dia 15. A informação foi divulgada ontem pelo governador do Rio, Anthony Garotinho (PDT).

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