Malan garante socorro ao Banestado
Leandro Donatti
De Curitiba
O Banco Central vai retomar na semana que vem os repasses para a privatização do Banestado. A promessa foi feita ontem pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan, em audiência com o governador Jaime Lerner (PFL), em Brasília. Pelo cronograma de saneamento firmado entre governo do Estado e União, o Banestado ainda tem a receber R$ 1,7 bilhão dos R$ 4,5 bilhões autorizados pelo presidente Fernando Henrique em meados do ano passado. A conversa com o ministro foi pela manhã e durou uma hora e meia.
O presidente do Banestado, Reinhold Stephanes, e seu vice, João Evangelista de Souza, tentavam até o início da noite fechar com os técnicos da Fazenda um cronograma de liberação do dinheiro. Não estava definido ainda se a quantia final do socorro ao Banestado seria parcelada ou repassada aos cofres do Paraná de uma só vez. A conclusão do cronograma pode ficar para o início da semana que vem, avaliavam algumas fontes do Banestado.
A promessa de Malan deu novo fôlego para a equipe de Stephanes, preocupada em estancar o restante do rombo financeiro do banco. Com o dinheiro em mãos, a equipe se voltará para a contratação da empresa que vai avaliar o preço do banco e a sua forma de venda. Na próxima terça-feira, a comissão de licitação da Secretaria da Fazenda analisa as propostas. Dois consórcios disputam o contrato do Banestado: um brasileiro, liderado pelo Banco Fator; e um americano, liderado pelo Grupo Goldman-Sachs.
A privatização do Banestado só vai ocorrer após a venda do Banespa (banco paulista) no segundo semestre do ano que vem, tem sinalizado Reinhold Stephanes. O prazo para a privatização venceu em março deste ano, e teve de ser prorrogado a pedido do governo Lerner. Stephanes acompanhou Lerner na conversa com Malan ontem e levou em mãos ao ministro parecer da Secretaria do Tesouro Nacional (STN) confirmando a validade da prorrogação sem a necessidade de submetê-la à apreciação do Senado. Alguns setores do governo manifestaram receio em submeter a prorrogação aos senadores Osmar Dias e Alvaro Dias, ambos do PSDB, e Roberto Requião (PMDB), todos adversários políticos de Lerner.
Para ser privatizado, o Banestado já sofreu uma série de mudanças administrativas. A estrutura básica, segundo informou ontem a assessoria do banco, envolvendo diretoria e departamentos, foi reduzida. O Plano de Desligamento Voluntário (PDV) atendeu até o momento 2.089 funcionários, enxugando o quadro em 21%. Foram fechadas agências em Nova York, Ilhas Cayman e outras unidades deficitárias. Para ser vendido, serão necessários seis meses para a formatação do banco e consequente venda.
O socorro financeiro ao Banestado terá um custo para os cofres públicos do Paraná e envolverá os futuros governos. O Estado pagará pelo empréstimo total (R$ 4,5 bilhões em valores de janeiro) algo em torno de R$ 38 milhões ao mês, durante os próximos 30 anos, a contar da liberação do R$ 1,7 bilhão pendente até ontem, antes da audiência com o ministro Pedro Malan. O pagamento do empréstimo, pelo Paraná, será feito diretamente ao Banco Central, diz o contrato firmado entre o Estado e a União.Ministro da Fazenda prometeu, em audiência com o governador Jaime Lerner, repassar verba para privatizar banco do PR
Antônio Cruz/Agência BrasilCONTRA O DÉFICITLerner, Stephanes e o assessor Guaraci Andrade, em reunião com o ministro Pedro Malan, que durou uma hora e meia





