O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o líder do PT na Câmara, deputado Aloízio Mercadante (SP), trocaram acusações, de forma ríspida, na audiência pública da Comissão Mista de Planos e Orçamento. O deputado afirmou que o governo sofre de ‘‘esquizofrenia’’ e classificou de ‘‘ridícula’’ a proposta de reajuste do salário mínimo incluída no projeto de lei orçamentária para 2001 apresentada pelo governo.
Segundo Mercadante, o aumento de 5,57% no salário mínimo representaria um acréscimo de R$ 0,28 por dia, o que, de acordo com o líder, ‘‘não pagaria a tinta da caneta Montblanc’’ que estaria sendo utilizada pelo ministro na audiência. Malan respondeu no mesmo tom, também qualificando a acusação de Mercadante de ‘‘ridícula’’ e garantindo que não utiliza canetas Montblanc, e sim ‘‘uma caneta vagabunda’’.
Para o ministro, as posições defendidas por Mercadante não passaram de ‘‘discurso de palanque’’. Malan disse, ainda em resposta ao deputado, que o PT também sofre de ‘‘esquizofrenia’’. Citou o que seriam dois exemplos: 1) a posição defendida pela militância petista, que era favorável ao não-pagamento da dívida externa e da dívida interna, durante as discussões do plebiscito proposto pela CNBB, enquanto a liderança do partido afirmava, em discurso, que não estava defendendo o calote dessas dívidas; 2) a apresentação de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionando os limites de gastos com pessoal impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal.

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