Malan diz que só há ilações contra Lopes
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quinta-feira, 31 de maio de 2001
Simone Cavalcanti e Tânia Monteiro Agência Estado De Brasília 
Depois de mais de sete horas de depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) no Senado, o ministro da Fazenda, Pedro Malan, insistiu ontem por diversas vezes que não há provas, apenas ilações sobre qualquer tipo de corrupção ou venda de informações privilegiadas relacionadas ao ex-presidente do Banco Central Francisco Lopes. No entanto, o ministro foi surpreendido ao ouvir do senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que existe uma testemunha da chantagem feita pelo ex-banqueiro e dono do Marka, Salvatore Cacciola contra Lopes. A suposta chantagem teria sido feita na sede do BC, em janeiro de 1999, logo após a desvalorização cambial porque Cacciola saberia da venda de informações ao mercado.
Suplicy afirmou que a testemunha estaria disposta a contar o que viu a Malan. O ministro rebateu dizendo que todos gostariam de saber da verdade e que, para isso, era então necessário que essa pessoa viesse a público contar a todos com transparência, e não em uma reunião exclusiva com o senador. Esse não foi o único embate acontecido ontem entre o ministro e o senador.
Logo no início do depoimento, Malan se referiu nominalmente ao senador acusando-o de plantar na imprensa o que dirá no dia seguinte e adiantou-se para reafirmar sua convicção de que Lopes foi competente quando estava à frente da Diretoria de Política Monetária e que só foi afastado da presidência do BC porque não conduziu como era esperado a mudança cambial.
O ministro da Fazenda apresentou aos senadores a carta de demissão que ele entregou ao presidente Fernando Henrique durante a crise cambial de 1999. No documento, inédito até agora embora já se soubesse de sua existência pelo próprio Lopes Malan afirma que estaria convencido de que a mudança de pessoas em alguns postos-chaves poderia restabelecer a confiança do mercado na economia.
Por mais de uma vez, Malan negou que teria conhecimento das operações feitas para salvar os bancos Marka e FonteCindam à época do ocorrido. Repetiu a mesma versão dada em seu depoimento à Justiça de que ficou sabendo da operação de socorro às instituições de cerca de R$ 1,6 bilhão um mês depois. Não tomei conhecimento e, se tivesse, teríamos tomado providências. Assim, quero repelir veementemente esta acusação implícita, afirmou o ministro.


