Malan diz que oposição é arrogante
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sábado, 18 de agosto de 2001
Ariosto Teixeira<BR>Agência Estado 
Com um discurso político que vem surpreendendo as oposições e o inclui na lista de ''presidenciáveis'', o ministro da Fazenda, Pedro Malan, se define como um social-democrata, rejeita o rótulo de neoliberal e cobra da esquerda brasileira uma reciclagem que a sintonize com o século 21 e a capacite ao eventual exercício do poder no Brasil. ''Faria um bem enorme ao País a existência de uma esquerda não-anacrônica'', diz em entrevista à Agência Estado, concedida na mesma semana em que fez, no Congresso, uma histórica defesa do governo Fernando Henrique Cardoso.
Malan insiste na importância de elevar o debate sobre questões que situa acima dos conceitos e valores ideológicos. ''O respeito à restrição orçamentária é algo que qualquer governo, seja qual for a sua coloração política e a sua ideologia, está obrigado a seguir'', exemplifica.
O ministro da Fazenda identifica nos partidos de oposição um comportamento arrogante que os leva a requerer o monopólio de valores pertencentes às sociedades de todo o mundo como a ética, a honestidade e a eficiência administrativa. Ao mesmo tempo, em sua avaliação, essas oposições sustentam seu discurso político em bases ultrapassadas como a do Estado desenvolvimentista que, ironicamente, rotulou de neodesenvolvimentismo estatal. ''Soa antigo'', afirma.
Malan exibe desenvoltura na argumentação política, embora recuse qualquer provocação quanto à possibilidade de envolver-se de forma direta com a atividade. Sua autoproclamada falta de vocação não o constrange a discorrer sobre temas eminentemente políticos. Foi com veemência que defendeu a mudança de mentalidade dos partidos brasileiros, nos quais enxerga falta de organicidade e consequente superficialidade no tratamento dos temas mais caros ao País.
O ministro da Fazenda se orgulha também de lembrar sua origem de esquerda e sua oposição ao regime militar. Único ministro que conseguiu polarizar o debate político-ideológico com a oposição de esquerda, especialmente com o PT, cujo presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva, lidera as pesquisas de opinião para a corrida eleitoral de 2002, Malan pretende tornar permanente esse exercício crítico público ao comportamento das oposições em relação à administração do governo Fernando Henrique.
A seguir, trechos da entrevista:
AE O senhor reafirma que não é e não pretende ser candidato, mas o seu discurso político cada vez torna isso mais difícil de acreditar.
Malan Eu queria aproveitar a oportunidade para uma vez mais reafirmar que não tenho projetos, pretensões e ambições de natureza política. Há um ano e meio digo isso. Mas eu queria situar as minhas participações no debate público. Acho que essa é uma responsabilidade de todo homem público, sobretudo de um ministro de Estado, que é um cargo com dimensão política.
AE O sr. sugere um pacto entre os partidos?
Malan Eu não gosto da palavra pacto, acho que ela está desgastada. Eu tenho dito é que existe um terreno comum de certas coisas básicas que nos países organizados do mundo de hoje não estão mais sujeitas ao debate político ideológico ou partidário. Está se consolidando a idéia de que é do interesse da população que qualquer governo preserve a inflação sob controle.


