Depois dez dias em contatos com a comunidade financeira internacional, nos Estados Unidos, um sorridente ministro da Fazenda, Pedro Malan, desembarcou em Brasília às 8h40 de ontem com uma tarefa: fechar o programa de ajuste fiscal para os próximos três anos, cujas linhas básicas receberam o apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (Bird) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
Malan deixou a Base Aérea de Brasília em companhia do secretário para Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Marcus Caramuru. O plano de Malan foi reservar o sábado para um descanso com a família.
Ele deverá ter, porém, no fim-de-semana, um encontro com o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Pedro Parente, que fará um relato sobre as dicussõs da equipe econômica para a definição das metas fiscais que deverão ser avaliadas na terça-feira, na Câmara de Política Econômica.
Para 1999, o governo já definiu a meta será de superávit primário entre 2,5% a 3% do Produto Interno Bruto (PIB). O presidente Fernando Henrique Cardoso quer que o Programa de Pluarianual de Ajuste Fiscal esteja definido até 20 de outubro.
Embora não tenham sido apresentados resultados concretos para evitar o agravamento da crise financeira internacional, a avaliação de Malan dos encontros da semana passada foi boa. Os três principais objetivos da sua missão foram cumpridos: sensibilizar os países ricos para que atuem, embora suas economias não tenham sofrido até agora os efeitos da crise; obter a abertura de uma linha de crédito para prevenir - e não remediar - uma crise; e, mais importante, conseguir apoio das principais organizações financeiras à política cambial brasileira.
Quando voltou de sua primeira reunião com representantes do FMI, Bird e BID para tratar desse tema, no início do mês passado, Malan estava bem menos tranquilo: a desconfiança de que o Brasil desvalorizaria o real provocou uma fuga de capitais, que reduziu as reservas internacionais de US$ 70 bilhões para US$ 48 bilhões. E, além dos Estados Unidos, que prometeram apoiar a América Latina, o Grupo dos Sete (G-7) países ricos ainda não se posicionara em relação à crise.
Nas últimas duas semanas a situação mudou: além dos Estados Unidos, a Grã-Bretanha e a Espanha reduziram suas taxas de juros, e o Japão prometeu US$ 30 bilhões para ajudar os países do Sudeste Asiático a superarem a crise. Em relação ao Brasil, tanto o FMI, quanto o Bird e o BID anunciaram que colocariam recursos à disposição, sem exigir em troca a desvalorização do real, pedida por alguns grandes bancos e empresários.
As quantias não foram determinadas porque, apesar de se falar numa contribuição inicial de US$ 5 bilhões do Bird, de outros US$ 5 bilhões do BID e de US$ 15 bilhões do FMI, a força com a qual o fundo atuará ainda depende do Congresso norteamericano, que está definindo quanto os Estados Unidos darão à organização.
‘‘Mas o principal não é a ajuda que o governo brasileiro receberá de fora, e sim as medidas que o Brasil tomará para reduzir seu déficit fiscal’’, disse um dos integrantes da missão encabeçada por Malan. ‘‘O que está em jogo é a credibilidade, e depende apenas do Brasil apresentar metas de ajuste fiscal, que os investidores achem suficientes e possíveis de serem cumpridas’’, acrescentou.

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