Mais um vereador de Maringá está na mira do Ministério Público (MP) pela suspeita de apropriação indébita de salários de assessor. Depois de Edith Dias (PP), dessa vez o investigado é Altamir Antônio dos Santos (PL), conforme o depoimento do ex-assessor dele Victor Luis Colli Jordão, 23 anos.
  O caso está sendo apurado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de Maringá no mesmo inquérito instaurado para tratar da acusação contra Edith. O promotor José Aparecido da Cruz não quis dar detalhes de como a denúncia chegou ao MP, mas já tomou na última quarta-feira o depoimento de Jordão em que o estudante confirmou os repasses de salário ao parlamentar.
  A Folha teve acesso ao depoimento escrito do rapaz. Nele, o ex-assessor relatou ter trabalhado com o vereador desde o primeiro mandato dele, em 2001, mas cedido pelo gabinete da Presidência, onde estava nomeado. Nos dois primeiros anos, segundo o documento, Jordão recebia mensalmente o salário bruto de R$ 3.004,72, ou R$ 2.506,75 líquido. Nos dois últimos anos, os valores subiram para R$ 3,5 mil e até R$ 4 mil, de modo que o vereador lhe repassaria, na verdade, apenas R$ 300, no início, e R$ 600, em 2003 e 2004.
  Reeleito para o segundo mandato em 2004, Santos teria negado ao ex-assessor nomeá-lo com o salário integral em janeiro deste ano, motivo do pedido de exoneração. O jovem não apresentou provas ao promotor, mas, no depoimento, se dispôs a fornecer cópias dos holerites e ofereceu a quebra do sigilo bancário da própria conta como forma de comprovar os supostos saques mensais ao ex-patrão.
  Cruz não quis falar sobre o assunto, do mesmo modo que Jordão, contactado pela reportagem por telefone. O vereador também foi procurado para comentar o assunto, mas não foi localizado em casa nem no gabinete, tampouco atendeu os telefonemas da reportagem.
  O corregedor da Câmara de Maringá, vereador Aparecido Domingos Regini (PP), o ‘‘Zebrão’’, afirmou que a Casa só vai apurar internamente as denúncias contra os dois colegas depois de enviar ofício ao MP solicitando informações sobre as investigações em curso. Prazo para a iniciativa ser aplicada? ‘‘O mais rápido possível’’, disse Regini, lacônico.
  Já a vereadora Edith deve depor à Promotoria na próxima quinta. Em dezembro, uma ex-assessora a acusou de reter parte dos salários dela desde 1997. A defesa alega que se trata de ‘‘armação política’’.

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