Mais um ex-diretor do Banestado é preso
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - As investigações sobre a remessa ilegal de dólares para o exterior ganharam um novo fôlego nos últimos 15 dias. O ex-diretor de Câmbio e Relações Internacionais do Banco do Estado do Paraná (Banestado) Gabriel Nunes Pires Neto passou a ser réu colaborador da Justiça e está revelando informações novas que estão sendo anexadas ao processo. Uma delas embasou a prisão na semana passada do ex-diretor da mesma área e ex-vice-presidente Aldo de Almeida Júnior, que conseguiu habeas corpus dois dias depois do cumprimento da ordem de prisão. Pires Neto confessou que retirou dos arquivos do Banestado fitas cassetes com o conteúdo de reuniões internas feitas pela diretoria a pedido de Aldo, que queria segundo Pires Neto preservar a imagem dos diretores no caso de uma futura investigação policial.
Ontem, foi a vez do ex-assessor técnico da Diretoria de Câmbio Alaor Alvim Pereira ser preso. No depoimento que deu à Justiça, Pires Neto revelou que a abertura das contas laranjas em Foz do Iguaçu eram realizadas com a autorização da Diretoria de Câmbio de Curitiba. Os dados apresentados pelo réu colaborador foram usados como base para o interrogatório feito pelo juiz da 2 Vara Federal Criminal, Sérgio Fernando Moro. ''O Gabriel (Pires Neto) tem dado base para as investigações com as confissões que tem feito. Ele tem sido peça fundamental'', disse ontem o delegado Luiz Pontel de Souza, responsável pela organização da prisão logo depois da audiência judicial.
Na argumentação do despacho de prisão preventiva, Moro destacou que Alaor Pereira estava ''aparentemente descontrolado e disposto a qualquer coisa para se livrar da sanção penal, causando um evidente risco para as testemunhas do processo e para os colaboradores da Justiça, mesmo para o juiz e para os procuradores da República que estão conduzindo as investigações''. A prisão teria ainda como objetivo a garantia da aplicação da lei e da ordem pública. Alaor, que teve a prisão preventiva decretada no mês passado e ficou foragido por 23 dias quando saiu o habeas corpus da Justiça Federal, foi encaminhado para o Centro de Observação e Triagem (COT) da Prisão Provisória de Curitiba.


