Curitiba - O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Nelson Justus (DEM), recebeu mais uma vez, ontem, um pedido para que ele se afaste do cargo. O deputado estadual Neivo Beraldin (PDT) usou a tribuna para pedir que Justus se licencie do cargo até que as investigações de irregularidades na Casa sejam concluídas. Beraldin também pediu o afastamento do primeiro secretário, deputado Alexandre Curi (PMDB) e do segundo secretário, Valdir Rossoni (PSDB).
Beraldin é o sexto parlamentar a recomendar o afastamento de Justus desde que a Assembleia se tornou alvo de uma série de denúncias de desvio de dinheiro público. Pela manhã o parlamentar conversou com representantes do movimento ''Caça-Fantasmas'', que realizou mais uma manifestação na frente da sede do legislativo. As manifestações pela apuração das denúncias aconteceram também em outras cidades do interior do estado.
No início da sessão, à tarde, ele subiu à tribuna para dizer que a ''pressão popular'' justificava o afastamento dos dirigentes da Casa. ''Há um clamor popular. Não há demérito nenhum em se licenciar por um tempo.''
No fim do pronunciamento do deputado, Justus disse que não vê o que seu afastamento ''mudaria no andamento da investigação''. O parlamentar disse que a presença dele na presidência garante ''a continuidade'' das investigações.
Além de Justus, Rossoni também se manifestou sobre o pedido. ''Para um homem pedir o afastamento tem que apontar o erro e ser idôneo. Acho leviano e uma falta de hombridade'', criticou. Segundo o parlamentar, o segundo secretário ''não exerce atividade administrativa nenhuma nessa Casa''. ''O que nós não podemos é deixar que oportunistas de ocasião subam na tribuna e tirem proveito dessa situação para transformar vilões e pilantras em heróis'', acrescentou.
Protestos
Ontem a Assembleia foi alvo de mais uma manifestação contra a corrupção na Casa. Cerca de 500 pessoas participaram de uma caminhada da Praça Santos Andrade, no Centro da capital, até a sede do legislativo. O prédio, no Centro Cívico, foi cercado por pelotão de policiais militares, que impediu a entrada dos manifestantes. O ato, que pediu mais transparência na Assembleia, também aconteceu em Maringá, Londrina, Foz do Iguaçu, Irati, Campo Mourão, Guarapuava e Irati.

mockup