Curitiba - Os primeiros atos de Roberto Requião (PMDB) ao tomar posse como governador em 2003 parecem ter inspirado muitos prefeitos que assumiram os mandatos este ano. Quase uma semana após a posse, não pára de crescer o número de prefeitos declarando moratória, revisões de contratos, e cortes de gastos e cargos, além de reclamarem da ''herança maldita deixada por seus antecessores''. As acusações são ainda maiores quando o prefeito que deixou o cargo e o que assumiu são rivais políticos.
Ontem foi a vez do prefeito de Guaratuba, Miguel Jamur (PT do B) decretar a suspensão dos pagamentos aos fornecedores seguindo o exemplo dos prefeitos de Arapongas, Cascavel, Matinhos e Foz do Iguaçu, que já haviam decretado moratória para acompanhar melhor os gastos da prefeitura. Segundo Jamur, a situação econômica do município é precária. O trabalhista assumiu no lugar de José Ananias (PMDB), e acusou os antigos ocupantes da prefeitura de terem feito um verdadeiro ''rapa'' na sede da administração do município, levando computadores, quadros e até tapetes.
Outro que encontrou um quadro dantesco ao chegar à prefeitura foi Jota Camargo (PPS), de Colombo. Ontem, Camargo afirmou que os telefones da administração já estão cortados, e que em breve a luz também pode ser cortada por falta de pagamento. O prefeito também estuda a possibilidade de decretar moratória.
Em Piraquara, o novo prefeito Gabriel Samaha, o Gabão (PPS) também queixou-se da situação deixada pelo seu antecessor, João Guilherme Ribas Martins (PMDB). Além de herdar uma dívida de R$ 1,9 milhão com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), Gabão estima que será necessário realizar reparos em todo o parque de máquinas pesadas da prefeitura.

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