Curitiba - Mais três parlamentares paranaenses apareceram na lista dos deputados federais que recebiam propina da empresa Planam para incluir no Orçamento da União emendas para a aquisição de ambulâncias em municípios paranaenses. Depois, os parlamentares apresentavam a empresa para o prefeito do município, que tinha por obrigação favorecer a Planam na licitação pública. Os três deputados federais (Joaquim dos Santos Filho, Basílio Villani e Márcio Matos) estão hoje sem mandato e nenhum concorre a um cargo eletivo nas eleições deste ano. Até a divulgação destes novos nomes, apenas um paranaense fazia parte da lista oficial dos sanguessugas: o deputado federal Íris Simões (PTB PR).
O advogado e ex-deputado Joaquim Santos Filho (PFL) foi procurado ontem pela Folha. Santos Filho informou que já se colocou à disposição da Justiça de Cuiabá (MT), onde começou a investigação da máfia dos sanguessugas, para prestar esclarecimentos. Ele pessoalmente afirma que não conhece o processo, mas reconhece que chegou a conversar com o empresário Luiz Vedoin (um dos sócios da Planam) em seu gabinete. ''Ele percorria todos os gabinetes'', contou o ex-parlamentar. Santos Filho teria avisado o empresário que não intercederia pelos negócios dele (venda de ambulâncias e ônibus equipados) junto aos municípios e aos prefeitos de sua base eleitoral.
O ex-deputado federal Basílio Villani (PSDB) foi parlamentar por quatro mandatos. Na última legislatura, ele chegou a ser o presidente regional do PSDB. Foi um dos defensores da campanha de Fernando Collor de Mello (então no PRN) para a Presidência da República. A Folha tentou contato ontem com Villani, mas não conseguiu localizá-lo.
O médico Márcio Artur de Matos, funcionário de um hospital particular em Telêmaco Borba, esteve na Câmara dos Deputados por dois mandatos seguidos (no último ele entrou como suplente). Ele passou por agremiações como o PMDB, PR e o PTB. Hoje, ele estaria sem partido político. Matos foi procurado pela Folha, mas não estava em casa ou no hospital.
Até agora, os repasses teriam sido comprovados em cinco municípios paranaenses. Teriam recebido propina os prefeitos paranaenses Masao Takeshi (PTB), de Matelândia; Osvaldo Lupepsa (PSDB), de Pinhão; Ivanir Francisco Ogliari (PMDB), de Coronel Vivida; João Guilherme Ribas Martins (PMDB), de Piraquara; e João Capelletto (PMDB), de Braganey. Todos são ex-prefeitos e deixaram os cargos em dezembro de 2004. Tanto Capelletto como Ogliari negam que tenham recebido dinheiro para modificar licitações. Eles garantem que trabalharam com lisura e no estrito cumprimento do dever e do mandato que tiveram. Quanto aos demais prefeitos, a Folha entrou em contato pelo telefone, mas eles não retornaram.

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