'Mais parecia uma briga de boteco'
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
A perplexidade do meio jurídico paranaense quanto ao bate-boca de quarta-feira entre o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro Joaquim Barbosa, foi acompanhada de duas considerações: censura à postura de Barbosa na discussão em si, e as reservas quanto à conduta de Mendes à frente da mais alta Corte de justiça do país.
O juiz da 10 Vara Cível e diretor do Fórum de Londrina, Álvaro Rodrigues Junior, classificou o ocorrido como lastimável. ''Foram usadas palavras que não se imaginava possíveis no STF. Mais parecia uma briga de boteco, o que prejudica a imagem da Justiça'', avaliou. ''Se o ministro Barbosa acha que o presidente está se expressando demais pela imprensa, existem formas adequadas para se colocar isso.'' Rodrigues Junior acrescentou que a acusação de que o presidente do STF teria ''capangas'' ficou ''inconclusa e desagradável''.
Sobre as críticas à conduta do ministro Gilmar Mendes à frente do Supremo, o juiz londrinense concordou que ela carece de equilíbrio. ''Isso, ele não teve em momento algum. Juiz tem que ser comedido, ainda mais sendo presidente do STF'', afirmou.
O procurador do Ministério Público Estadual, Bruno Galati, também criticou a atuação de Mendes desde que assumiu a presidência do STF. ''É bem vinda sua luta para evitar os excessos, mas da mesma forma ele deveria estar preocupado com as prescrições nos processos, com a defesa do patrimônio público e outros elementos que levam à impunidade. Ele defende apenas o direito individual; sobre os grandes problemas que atingem a coletividade, não vi uma vírgula.'' Galati afirmou ainda que comunga com a colocação de que a ''justiça tem que se aproximar mais do cidadão comum''.
O presidente da seção paranaense da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Alberto de Paula Machado, disse que não viu uma discussão institucional entre os dois ministros, mas ''pessoal''. ''Foi uma discussão destemperada e inapropriada que jamais deveria ter descambado para referências pessoais'', avaliou. ''Quando esse tipo de coisa acontece na Câmara dos Deputados, a gente tem uma condescendência maior, mas no Supremo isso não cabe.
Alberto de Paula afirmou ainda que o presidente do STF age de forma ''inadequada'' quando comenta pela imprensa casos que serão debatidos pelo STF, mas disse que ''reconhece que os problemas de escutas telefônicas indevidas e prisões espalhafatosas só refluiu após as manifestações dele''.


