Mais duas pessoas são presas na Operação Trânsito
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quarta-feira, 18 de abril de 2007
Luciana Pombo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Operação Trânsito Livre, do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) prendeu ontem mais dois acusados de envolvimento no esquema de compra de créditos tributários inexistentes que lesou o Estado do Paraná em mais de R$ 19 milhões, em 2002. Os dois últimos mandados de prisãoá - de um total de 26 expedidos terça-feira - foram executados em Brasília.
Marcelo Fontoura Valle, 47 anos, e Luiz Carlos Abadie, 55, contador da Vale Couros Trading S.A., participavam das transações ilegais da empresa na capital federal, segundo a polícia. Também em Brasília, foi detido, ainda na terça-feira à tarde Rubens Alexandre dos Santos, 51, sob a mesma acusação. As investigações apontam que a Vale Couros vendeu créditos tributários inexistentes para o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran).
O ex-diretor geral do Detran Cesar Franco, preso na terça-feira com outras 23 pessoas, diz que está sendo vítima de uma armação política. O advogado dele, Gláucio Pereira, entrou ontem com um pedido de habeas corpus (liberdade) no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná sob a alegação de que Franco tem endereço e residência fixos, desempenha atividade lícita (é comerciante em Curitiba), nunca tentou obstruir as investigações e sempre se apresentou à Justiça quando foi solicitada sua presença.
''Não há motivo para que ele tenha sido preso preventivamente. As investigações estão praticamente concluídas. Ele (Franco) tem convicção que a prisão teve cunho político. Até porque sempre prestou as informações nos inquéritos policiais que investigavam há quatro anos o caso'', disse o advogado. O contrato entre o Detran e Vale Couros para a compra de créditos tributários federais com a finalidade de pagamento de dívida do Estado com a União foi firmado no dia 30 de setembro de 2002. No mesmo dia, o Detran efetuou um primeiro depósito para a compra dos créditos no valor de R$ 1 milhão e um segundo depósito no valor de R$ 8,4 milhões. O valor pago sofreu um deságio de 12%, o que faria com que o Detran tivesse uma receita líquida no final da transação de R$ 1,3 milhão.
''Ele (Franco) alega que quando resolveu comprar os títulos, tinha certeza da liquidez deles. Achava que os títulos iriam trazer benefícios por conta do deságio. Não houve culpa dele. Quando percebeu que os títulos não eram válidos, tentou reverter o negócio'', ponderou o advogado. Os créditos seriam usados para saldar as dívidas que o Detran tinha junto ao Patrimônio do Servidor Público (Pasep). Apenas com a certidão negativa, o Detran poderia firmar projetos considerados por Franco como essenciais à época. Os créditos ofertados eram da empresa gaúcha Calçados Marcela.


