Curitiba - O governo do Paraná espera, nos próximos dias, fechar acordos para redução no preço das tarifas de pedágio com mais duas concessionárias. A Rodovia das Cataratas, que explora trecho da BR-277 que vai de Foz do Iguaçu a Guarapuava num total de cinco praças, e a Econorte, que explora três praças do pedágio na região de Londrina (BR-369 e PR-445), procuraram o governo para negociar a redução das tarifas, informou ontem o consultor jurídico do governo, Pedro Henrique Xavier.
Hoje haverá uma reunião com a Rodovia das Cataratas, mas Xavier acredita que um acordo só será firmado quando a concessionária avançar nos detalhes. A primeira concessionária a fechar acordo foi a Caminhos do Paraná. O pedágio ficou 30% mais barato e a concessionária foi liberada de fazer novos investimentos, bem como ganhou o direito de explorar o trecho da Lapa, que deve entrar em operação na semana que vem.
Paralelamente às negociações que estão sendo feitas em separado, a Justiça Federal pode decidir hoje se autoriza ou não o reajuste dos preços das tarifas em 17 praças de pedágio no Estado. Os pedidos de liminar protocolados por quatro concessionárias para que o reajuste médio de 15,34% nos preços seja concedido à revelia do governo, cumprindo-se assim o que está previsto nos contratos assinados durante o governo Jaime Lerner (PSB), chegaram ontem ao juiz Adriano José Pinheiro, da Vara Federal de Paranavaí. Segundo informações do gabinete do juiz, Pinheiro pretende pronunciar-se sobre o assunto no máximo até amanhã.
As concessionárias Ecovia, Econorte, Rodonorte e Viapar recorreram à Justiça para obter o reajuste. Duas concessionárias optaram por não buscar o aumento pelas vias judiciais: a Rodovia das Cataratas, que ainda estuda se entra ou não com o pedido de liminar e negocia ao mesmo tempo com o governo, e a Caminhos do Paraná, que já fechou acordo.
Apesar das medidas judiciais e das declarações duras do governador Roberto Requião (PMDB) contra as concessionárias que buscam o reajuste na Justiça, as duas partes continuam realizando reuniões para chegar a um consenso. Na quarta-feira representantes da Econorte estiveram reunidos com o secretário de Transportes, Waldyr Pugliesi. ''O acordo com a Caminhos do Paraná mostrou que há maneiras para que as concessionárias abaixem os preços praticados. Mas esse acordo não surgiu do dia para a noite. Foram mais de 50 reuniões até chegarmos ao modelo final'', explicou Pugliesi.
Apesar do anúncio do acordo, Pugliesi não acredita que haja uma onda de acordos entre governo e concessionárias nos próximos dias, o que não bate com as expectativas de Pedro Henrique. ''São negociações intrincadas. Cada concessionária tem suas peculiaridades e suas particularidades contratuais. Algumas estão em estágios mais avançados que as outras, mas não batemos o martelo com nenhuma'', afirmou Pugliesi.
Segundo Pugliesi, a desobrigação de investimentos concedida para a Caminhos do Paraná, e eventualmente para outras que venham a fechar acordo, não implica no cancelamento de melhorias no trecho explorado pela empresa, no Centro-sul do Estado. ''As rodovias não ficarão abandonadas. O governo irá realizar obras no trecho, quando for conveniente para toda a população, e a preços bem mais reduzidos do que o estipulado nos contratos com as concessionárias'', argumentou Pugliesi. (Colaboraram Vânia Casado e Leandro Donatti)

mockup