Mais dois suspeitos de participação na organização criminosa que agia na Receita Estadual de Londrina cobrando propina de empresários para amenizar a fiscalização no recolhimento de tributos estaduais, conforme revelou a operação Publicano deflagrada em março pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foram presos ontem.
O juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, decretou a prisão do advogado e contador de Rolândia, Jorge Dias Paiva, e do auditor Ataliba José de Souza Filho, lotado na 6ª Delegacia da Receita, em Jacarezinho (Norte Pioneiro).
O promotor Jorge Barreto da Costa, coordenador do Gaeco, disse que o auditor atuava, supostamente, na cobrança de propina e o contador e advogado seria um intermediário.
Até agora, as investigações acerca das fraudes na Receita envolveram 62 auditores, contadores e empresários na primeira fase – eles já foram acusados formalmente e a 3ª Vara Criminal já recebeu a denúncia.
Na segunda fase da Publicano, que implicou 53 auditores (incluindo 15 da primeira fase) de Londrina, de cidades do Norte do Paraná e de Curitiba e mais de 50 empresários, contadores e intermediários. Os investigados foram alvo de denúncia protocolada ontem pelos promotores do Gaeco. Costa não adiantou detalhes, afirmando que o texto seria concluído somente à noite. Disse que seriam mais de cem réus – 112 foram indiciados – e que todos os fatos apurados serão narrados. "Durante as investigações surgiram novas circunstâncias que estão sendo incluídas na denúncia", disse o promotor, no final da tarde.
Como parte integrante da denúncia, o Ministério Público deve anexar os acordos de delação premiada. A mais completa delas é a do auditor Luiz Antonio de Souza, que relatou detalhes do funcionamento da organização criminosa. Souza está preso desde janeiro ao ser flagrado em um motel com uma adolescente de 15 anos.
Mais de 50 pessoas foram presas cautelarmente nas duas fases da operação, mas, apenas dois auditores seguem detidos em razão das investigações: Ana Paula Pelizari Marques de Lima, mulher de um dos líderes da organização, Márcio de Albuquerque Lima, acusada de ocultar documentos; e Roberto Oyama, que mesmo estando afastado da Receita há 12 anos por suposta improbidade administrativa, teria exigido propina de empresário.
Os demais investigados foram soltos por habeas corpus concedido pelo ministro da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Sebastião Reis Júnior.

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