Pelo desejo dos atuais parlamentares, a renovação nas cadeiras da Assembleia do Paraná praticamente não existiria
Pelo desejo dos atuais parlamentares, a renovação nas cadeiras da Assembleia do Paraná praticamente não existiria | Foto: Sandro Nascimento/Alep


Curitiba - Se depender dos deputados estaduais que hoje exercem mandato, a renovação na Assembleia Legislativa (AL) do Paraná a partir do ano que vem será pequena. Dos 54 parlamentares da Casa, 42 estão propensos a disputar a reeleição, o que representa 77,77% (veja infográfico). Outros seis (11,11%) buscarão vaga na Câmara Federal. São eles: Felipe Francischini (PSL), Marcio Pauliki (SD), Ney Leprevost (PSD), Pedro Lupion (DEM), Fernando Scanavaca (PODE) e Schiavinato (PP).

Já Ratinho Jr. (PSD) é pré-candidato ao governo do Estado. A FOLHA entrou em contato diretamente com todos os parlamentares ou com suas assessorias. O único não encontrado foi Dr. Batista (PMN) - a reportagem ligou no gabinete e na sede estadual do PMN na tarde de sexta-feira (22). Bernardo Carli (PSDB) e Gilberto Ribeiro (PP), por sua vez, ainda não informaram seus planos para outubro. O pepista disse que anunciará sua decisão nesta segunda-feira (25).

Apenas dois membros da AL - Pastor Edson Praczyk (PRB) e Rasca Rodrigues (PODE) – decidiram não concorrer a nenhum cargo eletivo. As motivações são diferentes. A Igreja Universal do Reino de Deus, da qual Praczyk faz parte, acabou optando por apoiar o também pastor Alexandre Amaro. "Foi uma decisão do Conselho Político, que define quem é o candidato ‘oficial’. É impositivo mesmo. Há 20 anos fui o escolhido, porque acreditavam que eu reunia o maior número de predicados. E agora entenderam que seria melhor mudar", contou o deputado, em entrevista à FOLHA. Da mesma forma, a instituição pretende eleger Aroldo Martins como "representante" em Brasília.

No caso de Rasca, o que mais pesou foi o fim do financiamento empresarial das campanhas. "Infelizmente, o processo político brasileiro é medido pelo que você leva de benefício aos municípios. Então, deputados estaduais viraram vereadores de luxo. São votados pelo pragmatismo político regional, e não pela ação partidária", opinou. O parlamentar, que recentemente trocou o PV pelo PODE, do senador Alvaro Dias, afirmou que coordenará a campanha de Osmar Dias (PDT) ao Palácio Iguaçu. Ele também deve voltar à Secretaria de Estado do Meio Ambiente, onde é concursado. "É um sentimento frustrante esse de ir para casa. Mas a conjuntura é muito favorável", acrescentou.

O político reforçou ainda que não escolheu ser deputado para "seguir carreira". De acordo com ele, o modelo brasileiro, de dedicação exclusiva, precisa mudar, sob pena de sempre os mesmos serem eleitos. "O que fazemos aqui (na AL) em três dias (de sessões plenárias) nós podíamos fazer em menos tempo, sem custo. Teríamos menos funcionários. Vejam as estruturas hoje. Se você não tiver agentes políticos, não mantém seu potencial de voto. É um ciclo extremamente vicioso. Fora que, com a saída das empresas, o prefeito virou uma espécie de general eleitoral. O voto do deputado é um voto pedido por ele".

Entre os pré-candidatos ao Legislativo estadual, há tanto casos de ainda novatos como de quem está há mais de 20 anos no poder, sem intenção de sair. Requião Filho (MDB), Tiago Amaral (PSB) e Cobra Repórter (PSD), por exemplo, buscam um segundo mandato. Do outro lado, o presidente da AL, Ademar Traiano (PSDB), e o ex-presidente da Casa Nelson Justus (DEM) foram eleitos pela primeira vez em 1990. "Não só sou candidato, como já estou em campanha na minha base eleitoral", comentou o tucano. Natural de Francisco Beltrão (sudoeste), ele pode ser reconduzido pela oitava vez ao cargo.

Os perfis dos postulantes à Câmara Federal igualmente variam. Depois de quatro anos na AL, Felipe Francischini agora quer ocupar a cadeira do pai, Fernando Francischini (PSL), que vai concorrer ao Senado. O também "herdeiro político" Pedro Lupion, que é bisneto do ex-governador do Paraná Moysés Lupion e filho do ex-deputado federal Abelardo Lupion, avaliou já ter dado sua contribuição ao parlamento estadual. Eleito pela primeira vez em 2010, ele é o atual líder do governo Cida Borghetti (PP) na Casa. Ney Leprevost - que chegou ao segundo turno na disputa a prefeito em Curitiba em 2016 e foi cogitado para o Senado - deverá disputar também uma vaga na Câmara.

Imagem ilustrativa da imagem Mais de 75% dos deputados estaduais do PR devem disputar a reeleição



RENOVAÇÃO
Para o deputado estadual Tercílio Turini (PPS) a tendência do eleitor será de renovação. Ele acredita que o aumento da carga de tributos promovido nas duas gestões do governo Beto Richa (PSDB) que teve aval da Assembleia Legislativa - terá um peso grande na eleição de outubro. "O momento é de grave crise sem precedentes no ponto de vista ético e político. Ainda tem na economia uma peso grande e que o Governo não ajudou ou só aprofundou a crise", avalia.
Turini apresentou números como o aumento da água de 130% nos últimos sete anos e da conta de luz em 140% no mesmo período, além do IPVA que aumentou em 40%. "A Assembleia não colaborou. Os deputados têm o poder da estabelecer um limite quando o Executivo vem com muita sede ao pote."

O deputado, que tem domicílio eleitoral em Londrina, teve atuação independente na Casa, apesar do seu partido garantir sustentação ao atual e último governo. Turini acredita que os eleitores que acompanham mais de perto a política saberão distinguir. "Acredito que alguns segmentos da sociedade irão ter essa consciência. Votar em candidato com passado limpo e com atuação presente." (Colaborou Guilherme Marconi)

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