Curitiba – Integrantes de movimentos sindicais, sociais e estudantis realizaram ontem atos contra o presidente interino Michel Temer (PMDB-SP) em pelo menos 13 estados brasileiros. Na capital paranaense, a concentração começou por volta das 14 horas, na Praça Santos Andrade, no centro, onde foi montado um palco, para discursos e intervenções artísticas. Segundo balanço da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Paraná, 30 mil pessoas participaram das atividades. A Polícia Militar (PM), contudo, estimou o público em 1 mil. Até o fechamento desta edição, a corporação não havia registrado nenhum incidente. A previsão era de que os manifestantes só saíssem do local perto das 22 horas.
"A receptividade tem sido excelente. Estão todos entendendo que o golpe atinge em cheio a classe trabalhadora. A Fiep (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), que fez a campanha do pato, agora quer cobrar a fatura, acabando com a CLT (Consolidação das Leis do Trabalho)", afirmou a presidente da CUT-PR, Regina Cruz. De acordo com ela, dez unidades do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) ficaram fechadas ontem no Estado, além de 30 agências bancárias de Curitiba, que abriram uma hora mais tarde, às 11 horas. As ações em Londrina ocorrem hoje, a partir das 10 horas, no Calçadão.
Houve também mobilizações na sede da Petrobras, que fica na Rua Comendador Araújo, e na Caixa Econômica Federal, na Praça Carlos Gomes. Já nas escolas da rede estadual, a APP-Sindicato, que representa os professores, promoveu debates com estudantes e comunidade sobre "a situação do ensino público". Mais cedo, às 6h30, cerca de 100 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) e de funcionários da Petrobras fecharam uma via marginal à rodovia BR-476, impedindo o acesso dos funcionários à Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, na região metropolitana de Curitiba. Parte deles se deslocou no período da tarde até a Santos Andrade, com o objetivo de engrossar a mobilização.
Os sindicalistas teceram críticas à proposta de reforma da Previdência e à extinção dos Ministérios do Desenvolvimento Social (MDS) e das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. Regina Cruz contou que a ideia é preparar as entidades para a realização de uma greve geral, ainda sem data definida. O coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) no Estado, Crisando Figueiredo, disse que a notícia de cortes no programa Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, é a que mais preocupa. Na avaliação de Rodolfo Costa dos Reis, membro da União da Juventude Socialista (UJS), além de "denunciar o golpe", a realização dos protestos ajuda a conscientizar a população. "Há uma cultura de que política, futebol e religião não se discute. Mas acredito que se discute sim. Precisamos ocupar esses espaços", opinou.

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