Mais de 30 creches filantrópicas dizem não poder pagar reajuste
Em nota conjunta, entidades apontam que não há fôlego financeiro para atender à proposta de reajuste acordada entre os sindicatos
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de maio de 2025
Em nota conjunta, entidades apontam que não há fôlego financeiro para atender à proposta de reajuste acordada entre os sindicatos
Douglas Kuspiosz 

Mais de 30 creches filantrópicas de Londrina assinam uma nota dizendo que não têm condições financeiras de arcar com a proposta de reajuste salarial acordada entre os sindicatos patronais e laboral no dia 16 de maio. Discute-se a possibilidade de que as entidades arquem com 2% dos 5% de ganho real que os professores poderão receber este ano. A greve está temporariamente suspensa, mas pode ser retomada na semana que vem.
A FOLHA teve acesso a um documento com a manifestação dos CEIs (Centros de Educação Infantil), que cobram uma posição da Prefeitura de Londrina. O que está na mesa é um repasse de 4,77%, referente ao INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), e outros 5%, sendo 3% pagos pela Prefeitura e 2% pelas creches. No caso das instituições de pequeno porte, o município pode assumir a despesa. Essa proposta foi construída coletivamente em uma reunião no MPPR (Ministério Público do Paraná) e acatada pelas professoras em assembleia na última terça-feira (27). Mas o Sinpro (Sindicato dos Profissionais das Escolas Particulares de Londrina e Norte do Paraná) destaca que a Prefeitura ainda não apresentou uma contraproposta. Há uma semana, a Justiça deu 48 horas para que o município se manifestasse sobre a proposta, mas isso ainda não aconteceu.
Uma diretora de creche ouvida pela reportagem destaca que os 2% representam uma despesa de R$ 40 mil por ano na sua instituição, dinheiro que não está sobrando no caixa. Ela também pede que haja isonomia no tratamento, uma vez que os valores per capita recebidos por todos os CEIs são os mesmos.
A nota dos CEIs pontua que essa contrapartida nunca foi prevista nos convênios celebrados com o município e seria uma medida unilateral. “Eventuais reajustes concedidos aos professores deverão ser previamente condicionados à proporcional adição ao termo de convênio vigente entre PML e entidades”, reforça o texto.
Outro problema levantado é a diferença entre os valores repassados pelo município e os custos reais para a operação das entidades, que atendem mais de oito mil crianças e empregam cerca de 1,4 mil profissionais. O advogado Fábio Turetta, que representa os CEIs que assinam a nota, afirma que o número de alunos “dá às mantenedoras legitimidade para exigir posturas colaborativas por parte do município”.
“As entidades manifestam-se no sentido de informar à sociedade que a greve é um movimento de classe organizado pelo sindicato e com previsão legal, que as reivindicações das professoras são justas e merecem apoio de toda sociedade que se beneficia desse serviço prestado pelas mesmas”, pontua Turetta.
“As entidades, de maneira conjunta, estão se organizando para deixar claro que já trabalham no limite de custos e que não têm a menor condição de assumir despesas provenientes de um serviço que originalmente é obrigação do poder público", completa o advogado.


