Foi alto o número de abstenções e de votos brancos e nulos nas eleições do Paraná. Na disputa pelo governo, se somados, o índice foi de 43,86%, com base nos dados oficiais divulgados ontem pela Justiça Eleitoral. Não compareceram às urnas 1,3 milhão (21,12%) dos 6,3 milhões de eleitores em todo o Estado. Em 96, o índice foi de 17.93%. Os eleitores que votaram em branco nesta eleição chegaram a 678.968 (13,48%), não superando o índice (proporcional ao eleitorado), verificado na eleição de 94, quando os brancos totalizaram 690.208 (14,55%).
Os votos nulos englobaram 466.305 eleitores, 9,26% do bolo. Em 94, na briga pelo Palácio Iguaçu travada entre Álvaro Dias (PSDB) e Jaime Lerner (PFL), 277.767 (5,85%) dos eleitores votaram nulo. O índice de abstenções, votos brancos e nulos, neste ano, foi maior na briga pelo Senado. Ao todo, atingiu 43,91% dos eleitores. Os votos brancos somaram 640.202 (12,71%) e os nulos, 507.734 (10,08%), respectivamente.
Na votação proporcional (para deputado estadual e federal), houve uma oscilação nos números. Os brancos representaram 8,04% dos votos e os nulos, 10,29%, na eleição para deputado estadual. O equivalente a 404.662 e 518.268 eleitores, respectivamente. Os candidatos à Câmara Federal também não conseguiram convencer 477.246 (9,48%) eleitores que votaram em branco, nem outros 581.759 (11,55%) que anularam seus votos. Os votos de legenda foram usuais nas eleições do Paraná e variaram na casa dos 10%.
Para deputado estadual, 10,10% dos eleitores (415.485) preferiram votar na legenda. Para deputado federal, 9,46% (376.343 eleitores). O PSDB foi o partido que mais recebeu votos de legenda na disputa pela Câmara. Ao todo foram 101.052 votos. Na briga por vagas na Assembléia, a coligação do governador Jaime Lerner, integrada pelo PFL e PTB, foi a que mais se beneficiou. Foram 112.266 votos de legenda, conforme relatório apresentado ontem pela comissão de apuração.
O alto índice de abstenções, votos nulos e brancos, levou a assessoria jurídica do senador Roberto Requião (PMDB) a ingressar no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), anteontem, com um ‘‘pedido de suspeição’’ das eleições do Paraná em 98. Os advogados de Requião pretendem, mais adiante e pedir anulação do processo eleitoral. Eles alegam que o índice começou a se acentuar na noite da última segunda-feira, quando a diferença entre Lerner e Requião chegou a cair de 11% para 6%.
Defensor incondicional da campanha contra o voto branco e nulo, o presidente do TRE, desembargador Vicente Troiano Neto, disse ontem que os números não excedem uma média verificada pelo Tribunal nas últimas eleições. Ele admite, no entanto, que as urnas eletrônicas podem ter influenciado nesse percentual. ‘‘Toda vez que se usa uma urna eletrônica, precisamos ir nos aprimorando.

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