Ge­ne­bra- Um bra­si­lei­ro con­so­me por dia em mé­dia o do­bro de ca­lo­rias que vá­rios ci­da­dãos em paí­ses afri­ca­nos. Mas ain­da tem uma ali­men­ta­ção in­fe­rior a de um cu­ba­no. Os da­dos fa­zem par­te do re­la­tó­rio da Or­ga­ni­za­ção pa­ra a Agri­cul­tu­ra e Ali­men­tos (FAO) so­bre a fo­me no mun­do pu­bli­ca­do on­tem e que re­ve­la que, pe­la pri­mei­ra vez, ­mais de 1 bi­lhão de pes­soas pas­sam fo­me no mun­do to­dos os ­dias.
  Pa­ra a FAO e a ONU, a cri­se eco­nô­mi­ca ex­pôs a fra­gi­li­da­de das re­des de pro­te­ção so­cial no mun­do e fez a me­ta de re­du­zir pe­la me­ta­de o nú­me­ro de fa­min­tos até 2015 se tor­nar pra­ti­ca­men­te im­pos­sí­vel. A con­clu­são é de que os ­anos de 2008 e 2009 se­rão os pri­mei­ros a re­gis­trar um au­men­to brus­co da pro­por­ção de fa­min­tos em qua­tro dé­ca­das. A FAO in­sis­te que a si­tua­ção já era preo­cu­pan­te an­tes da cri­se eco­nô­mi­ca. Mas ad­mi­te que a re­ces­são fez ex­plo­dir o pro­ble­ma.
  A ava­lia­ção é fei­ta no mo­men­to em que a FAO e a ONU se pre­pa­ram pa­ra se­diar, em no­vem­bro, uma cú­pu­la mun­dial so­bre ali­men­ta­ção. A cri­se dos pre­ços das com­mo­di­ties em 2007 e 2008 e, ago­ra, a cri­se fi­nan­cei­ra, fez com que o nú­me­ro de fa­min­tos au­men­tas­se em 100 mi­lhões. Ses­sen­ta paí­ses já so­fre­ram com pro­tes­tos vio­len­tos por con­ta da fo­me. Pe­la pri­mei­ra vez, ­mais de 1,02 bi­lhão de pes­soas não tem o que co­mer. A FAO ini­ciou o re­gis­tro dos fa­min­tos em 1970 e nun­ca o nú­me­ro ha­via atin­gi­do es­sas pro­por­ções.
  Se o nú­me­ro ab­so­lu­to em 2009 é o ­maior já re­gis­tra­do, a pro­por­ção em re­la­ção à po­pu­la­ção mun­dial em 1969 era de 34%. Em 2004, es­sa ta­xa ­caiu pa­ra 16%. Mas ho­je bei­ra os 20%. ‘‘Nin­guém fi­cou imu­ne à cri­se. Mas são os ­mais po­bres que so­fre­ram ­mais’’, apon­tou Jac­ques ­Diouf, di­re­tor da FAO. Se­gun­do ele, a cri­se fez com que as re­mes­sas de imi­gran­tes a ­seus paí­ses de ori­gem so­fres­sem uma que­da, ­além do va­lor da aju­da das eco­no­mias ri­cas às eco­no­mias em de­sen­vol­vi­men­to. O re­sul­ta­do foi a que­da da ren­da.
  A is­so se so­ma o fa­to de que os ali­men­tos não so­fre­ram uma que­da de pre­ços em mui­tos dos mer­ca­dos dos paí­ses po­bres. A con­se­quên­cia foi o au­men­to da fo­me e o agra­va­men­to da si­tua­ção de fa­mí­lias que já ­eram pre­cá­rias an­tes mes­mo da cri­se. O ­maior pro­ble­ma es­tá na ­Ásia, com 642 mi­lhões de fa­min­tos. Na Áfri­ca sub­saa­ria­na são ou­tros 265 mi­lhões.

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