Mais de 1 bilhão passam fome todos os dias
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quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Jamil Chade<BR> Agência Estado 
Genebra- Um brasileiro consome por dia em média o dobro de calorias que vários cidadãos em países africanos. Mas ainda tem uma alimentação inferior a de um cubano. Os dados fazem parte do relatório da Organização para a Agricultura e Alimentos (FAO) sobre a fome no mundo publicado ontem e que revela que, pela primeira vez, mais de 1 bilhão de pessoas passam fome no mundo todos os dias.
Para a FAO e a ONU, a crise econômica expôs a fragilidade das redes de proteção social no mundo e fez a meta de reduzir pela metade o número de famintos até 2015 se tornar praticamente impossível. A conclusão é de que os anos de 2008 e 2009 serão os primeiros a registrar um aumento brusco da proporção de famintos em quatro décadas. A FAO insiste que a situação já era preocupante antes da crise econômica. Mas admite que a recessão fez explodir o problema.
A avaliação é feita no momento em que a FAO e a ONU se preparam para sediar, em novembro, uma cúpula mundial sobre alimentação. A crise dos preços das commodities em 2007 e 2008 e, agora, a crise financeira, fez com que o número de famintos aumentasse em 100 milhões. Sessenta países já sofreram com protestos violentos por conta da fome. Pela primeira vez, mais de 1,02 bilhão de pessoas não tem o que comer. A FAO iniciou o registro dos famintos em 1970 e nunca o número havia atingido essas proporções.
Se o número absoluto em 2009 é o maior já registrado, a proporção em relação à população mundial em 1969 era de 34%. Em 2004, essa taxa caiu para 16%. Mas hoje beira os 20%. Ninguém ficou imune à crise. Mas são os mais pobres que sofreram mais, apontou Jacques Diouf, diretor da FAO. Segundo ele, a crise fez com que as remessas de imigrantes a seus países de origem sofressem uma queda, além do valor da ajuda das economias ricas às economias em desenvolvimento. O resultado foi a queda da renda.
A isso se soma o fato de que os alimentos não sofreram uma queda de preços em muitos dos mercados dos países pobres. A consequência foi o aumento da fome e o agravamento da situação de famílias que já eram precárias antes mesmo da crise. O maior problema está na Ásia, com 642 milhões de famintos. Na África subsaariana são outros 265 milhões.


