Mais 49 prefeituras vão fechar
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sexta-feira, 18 de julho de 1997
Patrícia Zanin e Luciane Tonon 
Quarenta e nove prefeituras do Norte do Estado vão engrossar o movimento iniciado esta semana pela Associação dos Municípios do Noroeste Paranaense (Amunpar) e fecharão as portas a partir de segunda-feira para protestar contra a prorrogação do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF). As associações dos municípios do Norte do Paraná (Amunop) e do Norte Pioneiro (Amunorpi) decidiram ontem aderir ao protesto.
No Noroeste, o movimento foi iniciado quarta-feira quando as 29 prefeituras da região pararam de atender a população, mantendo apenas serviços essenciais como atendimento à saúde, coleta de lixo e transporte coletivo. A entidade distribuiu nota às 18 associações microrregionais do Estado pedindo adesão ao protesto. As prefeituras só reabrirão no dia 27.
Em Wenceslau Braz, onde foi realizada a reunião da Amunorpi, o presidente Mário Augusto Pereira (PFL), prefeito de Ribeirão Claro, até teatralizou. Ele pediu um minuto de silêncio, alegando a morte dos municípios decretada pelo presidente da República e executada pelos deputados que votaram contra os municípios. A entidade reúne 28 municípios.
Na reunião da Amunop, em Cornélio Procópio, os prefeitos dos 21 municípios decidiram colocar faixas de protesto em frente à prefeituras. Também vamos pedir que os deputados reconsiderem a prorrogação do FEF, diz o presidente da entidade e prefeito de Assaí, José Carlos da Cruz (PDT). A prorrogação do FEF até 1999 foi aprovada em primeiro turno esta semana na Câmara dos Deputados. O FEF retira, em média, 12,4% do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).
Cruz diz que além dessa perda, de janeiro até agora houve queda de 40% no FPM. Todos os municípios, sem exceção, estão no vermelho. Os prefeitos alegam ainda uma redução de 40% de ICMS nos últimos meses. As prefeituras estão assumindo responsabilidades do governo e não recebem por isso, afirma o prefeito de Bandeirantes, Lino Martins (PFL). Além da municipalização da educação e saúde, as prefeituras reclamam arcar com outros ônus. Até o salário de delegado de polícia algumas prefeituras estão bancando.
O prefeito de Sertaneja, Renato Tavares (PSDB) já fechou as portas. Desde a semana passada, a prefeitura só está funcionando meio-expediente. O governo me repassou R$ 60 mil para administrar todo o município. É quase a metade do que os parlamentares receberam para comparecer no período de recesso.


