Mais 18 pessoas são denunciadas por corrupção na Receita
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quarta-feira, 28 de outubro de 2015
Edson Ferreira e Loriane Comeli<br> Reportagem Local 
O Ministério Público (MP) do Paraná denunciou ontem 18 pessoas ligadas aos crimes de lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e organização criminosa, identificados na fase três da Operação Publicano, deflagrada no último dia 8. A denúncia foi apresentada na noite de segunda-feira à 3ª Vara Criminal de Londrina e acusa o auditor fiscal José Luiz Favoreto Pereira de ser o principal articulador da ocultação da propina amealhada no suposto esquema de corrupção na Receita Estadual de Londrina.
Pereira e outros acusados seguem presos: o irmão dele, Antonio Pereira Junior, a cunhada Leila Pereira, o advogado André Arruda, o empresário Sarquis José Samara a mulher de Sarquis, Marilúcia, continua foragida , além do também auditor fiscal e delator do esquema Luiz Antonio de Souza. Os demais relacionados na ação são contadores, empresários e "laranjas" que também teriam contribuído para o crime de lavagem de ativos, segundo o MP.
Conforme a denúncia relativa à terceira fase das investigações, os auditores fiscais, entre eles está Favoreto, teriam constituído um complexo de "empresas de fachada", registradas em nomes de laranjas com o objetivo precípuo de "maquiar o recebimento de propina, bem como propiciar a lavagem do dinheiro ilicitamente obtido com essas transações tendo alguns auditores angariado patrimônio gritantemente incompatível com as suas rendas".
O promotor de Justiça que assina a ação, Jorge Fernando Barreto da Costa, informou que a apuração sobre o destino do dinheiro desviado da Receita identificou inicialmente o "núcleo criminoso" ligado ao ex-delegado da delegacia de Londrina. "Os demais réus da ação gravitavam em torno de Favoreto e ajudavam o auditor a lavar o dinheiro oriundo de propina e também se beneficiavam disso", resumiu Costa, que também é o coordenador do Gaeco em Londrina.
Até agora, com as fases anteriores da Publicano, mais de 200 pessoas são processadas na Justiça, sendo 60 auditores, por participação no escândalo na delegacia da Receita Estadual de Londrina. No último dia 13, a Promotoria de Defesa do Patrimônio Público ajuizou a primeira ação por improbidade administrativa relativa ao caso contra 26 auditores, sete empresas e sete empresários do setor de vestuário, além de dois contadores e um advogado. O empresário Luiz Abi Antoun, parente distante do governador Beto Richa (PSDB), foi apontado pelo MP como líder político do esquema de cobrança de propina e sonegação fiscal.
A reportagem não conseguiu falar ontem com os defensores dos acusados.
O ministro da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Rogério Cruz, indeferiu ontem pedido de habeas corpus protocolado pela defesa do casal Sâmara. Sarquis, preso em um spa na cidade de Sorocaba, no interior paulista, seria transferido ainda ontem para Curitiba. Ele ficaria detido no Complexo Médico-Penal, com autorização do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina Katsujo Nakadomari. A defesa do empresário afirma que ele é cardíaco e se recupera de uma cirurgia bariátrica.
O mesmo ministro do STJ indeferiu pedido de liberdade protocolado por Favoreto e seus parentes. Para Cruz, as ordens de prisão expedidas pelo juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio, são perfeitamente legais.
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