Maioria na Câmara aprova criação de CEI
PUBLICAÇÃO
domingo, 18 de fevereiro de 2001
Lino Ramos de Londrina 
A maioria dos vereadores de Londrina aprova a abertura de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para analisar as doações de terrenos feitas pelo município nos últimos quatro anos. Uma consulta realizada ontem pela Folha revela que pelo menos 15 dos 21 vereadores querem a instalação da comissão. Segundo o autor da proposta, vereador Jamil Janene (PDT), 14 colegas lhe disseram que são favoráveis à proposta, que vai tramitar em regime de urgência e deve entrar em votação amanhã. Todos com quem eu conversei dizem que irão me apoiar, afirmou.
Os questionamentos sobre doações de áreas públicas surgiram depois que a auditoria da prefeitura revelou que em um terreno de 15 alqueires (na zona sul), doado para a construção de um centro de eventos, havia uma escola agrícola inacabada. O auditor Osvaldo Alves de Lima informou que a prefeitura chegou a receber R$ 200 mil do Governo Federal para a implantação da escola, cujas obras não chegaram a ser concluídas. A auditoria passou investigar a existência da escola após receber um pedido de informações sobre o andamento da escola, encaminhado pelo Procurador Geral da República em Londrina, João Akira Omoto.
Lima disse que amanhã encaminha ao secretário de Obras, Luiz Carlos Bracarense para quem foi enviado o requerimento de Omoto um relatório final sobre o trabalho da auditoria. Vou apontar que a obra não existe, adiantou. O procurador quer saber sobre o andamento da obra, mas parte dela não existe mais e o que sobrou já não pertence ao município.
Além de Jamil, confirmaram apoio à abertura da CEI os vereadores André Vargas (PT), Márcia Lopes (PT), Rubens Canizares (PHS), Carlos Bordin (PMDB), Leonilso Jaqueta (PMDB), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Tercílio Turini (PSDB), Roberto Kanashiro (PSDB), Henrique Barros (PFL), Hélio Cardoso (PSB), Paulo Arildo (PHS), Sidney de Souza (PTB), Beto Scaff (PSDB) e Félix Ribeiro (PPS). Não foram encontrados pela reportagem Renato Araújo (PPB), Elza Correia (PMDB), Orlando Bonilha (PDT) e João Dib Abussaf Filho (PRTB).
Para o vereador Flávio Vedoato (PL), a mesa diretora da Câmara tem a prerrogativa de passar informações sobre todas as doações de terrenos questionadas por Jamil. Ele está colocando em suspeição o trabalho da Câmara, estamos cansados de hipóteses e suspeitas.
Vedoato disse ainda que pediu ao presidente da Câmara, Tercílio Turini, que faça um esclarecimento hoje que em junho de 98 quando houve a doação do terreno ao centro de eventos o Legislativo agiu de acordo com a lei e não sabia da existência da escola no imóvel. Vedoato entende que é cedo para abrir uma CEI porque estaria havendo muita especulação em torno do assunto.
Já a vereadora Sandra Graça (PSB), afirmou que não tem opinião formada sobre a proposta porque não conhece o requerimento apresentado por Jamil. Acredito que teremos que ser mais específicos, toda doação passa por duas sessões na Câmara e então iremos colocar em cheque aa posição de alguns colegas. Acho delicado não especificar quais são as doações onde há questionamentos ou denúncias, ponderou.


