Curitiba - Mais de 80% dos membros dos ministérios públicos dos estados brasileiros não concordam com o modelo atual de escolha do procurador-geral de Justiça, autoridade máxima dentro dos órgãos. Um procurador-geral de Justiça do Ministério Público (MP) é escolhido pelo governador do Estado dentre os nomes que formarem a lista tríplice eleita pelos membros do órgão. No caso do Paraná, o atual procurador-geral de Justiça, Milton Riquelme de Macedo, não foi o mais votado entre os citados na lista tríplice do MP, mas acabou sendo o escolhido pelo governador do Estado, Roberto Requião (PMDB), hoje licenciado para se dedicar à campanha política de reeleição. Riquelme figurava em segundo lugar na lista.
A informação de que a maioria dos membros do MP não aprova a intervenção do Poder Executivo no assunto foi divulgada anteontem pelo Ministério da Justiça e faz parte de um documento inédito sobre os ministérios públicos do País. O diagnóstico do governo federal revela ainda que o Paraná está na contramão da maioria dos outros Estados - já que mais de 73% dos procuradores-gerais escolhidos pelos governadores estavam em primeiro lugar na lista tríplice eleita pela categoria. Ontem, Macedo afirmou à reportagem que é a favor de um modelo independente de escolha do procurador-geral. ''É uma postura antiga dos procuradores. E o diagnóstico pode influenciar uma mudança'', comentou.
Outra questão colocada aos membros do MP pela pesquisa se tratava da ''concordância em dar entrevistas'' sobre os casos em que eles estão à frente. Na região Sul, 44,70% dos membros responderam que dão entrevistas frequentes apenas se há uma decisão já ''irrecorrível'' sobre o caso; 21,9% dão entrevistas frequentes sobre os casos em que há ''decisão recorrível''; e somente 4,2% dão entrevistas frequentes se o caso ainda estiver ''em fase investigativa''.
No Paraná, o procurador-geral está sendo questionado pelo Conselho Superior do MP porque concedeu uma entrevista à imprensa isentando o governador licenciado de qualquer envolvimento com o policial civil Délcio Augusto Rasera, lotado no Palácio Iguaçu e denunciado pelo órgão no início de setembro porque estaria comandando uma quadrilha de escutas telefônicas ilegais. A entrevista foi concedida, porém, antes das investigações em torno da quadrilha terem sido concluídas e ainda foi usada pela equipe de campanha eleitoral do PMDB. ''É diferente. Eu falei de forma genérica sobre o assunto. E também eu não estava à frente do caso, eu só falei com base nos contatos que mantenho com os colegas. E até aquele momento não havia nenhuma referência ao nome do governador'', justificou Macedo.
As investigações sobre a suposta quadrilha estão sendo comandadas pela Promotoria de Investigação Criminal (PIC), órgão vinculado ao MP.

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