Maioria dos 'prefeituráveis' em Londrina apoia eleições municipais em novembro
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quinta-feira, 25 de junho de 2020
Guilherme Marconi - Grupo Folha 
Com o cenário eleitoral ainda indefinido em Londrina, embora algumas pré-candidaturas já tenham sido anunciadas, o adiamento das eleições municipais, aprovado em dois turnos pelo Senado em proposta de emenda à Constituição (PEC), foi bem recebido por postulantes à Prefeitura ouvidos pela FOLHA.

A PEC seguiu para a Câmara dos Deputados e deve ser apreciada nas próximas semanas. A proposta prevê as datas de 15 e 29 de novembro para o pleito que irá eleger prefeito e vereadores, sem alterar o tempo dos atuais mandatos. A medida, contudo, altera o calendário eleitoral, como os prazos de registro de candidaturas, propaganda eleitoral e prestação de contas dos candidatos e poderá sofrer mais resistência entre os parlamentares na Casa.
Principal expoente do bolsonarismo em Londrina, o deputado federal Filipe Barros (PSL) disse que votará contra o adiamento das eleições na votação na Câmara. "Inúmeros setores do comércio e da indústria abriram ou estão se preparando para abrir, que já é um motivo para ser contra o adiamento." Nome natural a concorrer à Prefeitura, Barros precisa primeiro definir sua situação na própria legenda, com quem está apartado. Ele trabalha para criação do partido Aliança pelo Brasil para habilitá-lo para as eleições de 2022.
O deputado também citou parecer anexado na Comissão do Senado contrário ao adiamento das eleições. "Se as eleições forem adiadas, nós teremos uma situação em que candidatos que cometerem crimes eleitorais poderão ser diplomados e só depois a Justiça Eleitoral terá tempo hábil para analisar esses processos. Então, em geral, vamos correr esse risco." O texto aprovado no Senado prevê que, com a eleição nos dias 15 e 29 de novembro, a prestação de contas do candidato e do comitê eleitoral precisa ser feita até 15 de dezembro.
FAVORÁVEIS
O deputado estadual Tiago Amaral (PSB), líder interino do governo na Assembleia Legislativa do Paraná, é favorável ao adiamento do pleito e defende a junção das eleições. "Eu já venho levantando essa bandeira há muito tempo, inclusive considero que o Congresso poderia avançar na discussão mais profunda e fazer as eleições em 2022. Independente da condição de estar disputando, isso seria um grande passo, economizaria dinheiro de fundo eleitoral, reduziria o impacto nas contas públicas e facilitaria o processo", afirmou Amaral, que ainda não tornou oficial sua pré-candidatura, mas é bem cotado para ser o candidato da base de Ratinho Junior (PSD) em Londrina.
Para o pré-candidato do PT à prefeitura, o advogado Carlos Scalassara, a mudança no calendário é positiva. "A pandemia é óbice para comunicação e a política é comunicação, diálogo. Adiar o pleito sem prorrogar os mandatos é a melhor alternativa no momento." Ele também considera que um dos principais prejuízos está no período de convenções. "Muitas pessoas que coordenam os partidos são do grupo de risco. Temos apoiar o isolamento e distanciamento social neste período de ascensão de contágio."completou.
Outro prefeiturável, o empresário Marcio Stamm (PODE), considera irrelevante um eventual prejuízo com o adiamento. "Saúde e economia caminham juntas neste momento. Assim, toda medida para segurança da população é importante. Se as autoridades da saúde indicam a prorrogação, nós somos a favor. Não consideramos que haverá prejuízo à democracia com a alteração sem mudança nos mandatos", disse Stamm, que é do Podemos. partido já abrigou o ex-prefeito Alexandre Kireeff, que descartou categoricamente o retorno ao cargo. A pré-candidatura de Stamm será lançada oficialmente hoje pelas redes sociais.
O prefeito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), que é considerado nome certo à reeleição, não comentou o assunto. Já o deputado federal Boca Aberta (Pros), pré-candidato declarado ao cargo, não quis se manifestar sobre como votará neste tema. O ex-prefeito de Londrina Barbosa Neto (PDT), que nesta semana colocou seu nome na corrida eleitoral, não retornou o contato.
CALENDÁRIO SUGERIDO
A mudança de data, se for mantida pela Câmara, prevê ainda que entre 31 de agosto e 16 de setembro devem ocorrer as convenções partidárias para escolha dos candidatos e definição de coligações. Com o texto do Senado, a data da posse dos eleitos também permanece inalterada, ou seja, prefeito, vice-prefeito e vereadores eleitos tomam posse em 1º de janeiro de 2021. Se for aprovada também pela Câmara, a proposta segue para promulgação pelo Congresso, sem necessidade de sanção do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).


