Maioria dos nanicos apenas se exibe
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domingo, 05 de julho de 1998
Doca de Oliveira Agência Estado 
Arquivo FolhaConservadorIvan Frota: esperando apoio da família militar
Enquanto a disputa presidencial permanece polarizada entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o petista Luiz Inácio Lula da Silva, candidatos bem menos conhecidos brigam para ocupar espaço e sonham até mesmo em chegar à presidência da República. Entre 15 candidatos que devem se registrar para disputar a eleição presidencial, pelo menos dez fazem parte do grupo dos chamados nanicos. Esses candidatos não têm importância nenhuma, não fazem parte da campanha, afirma o cientista político Válder de Góes. São políticos que se lançam para negociar com as outras chapas, fazer críticas aos seus adversários ou por puro exibicionismo, acrescentou.
Arquivo FolhaExplosivoEnéas Carneiro: se ganhar, Brasil terá bomba atômicaNa briga pelo eleitor, eles não roubam muitos votos, mas seu principal efeito é ocupar parte do espaço dos principais candidatos no horário gratuito de rádio e televisão. Fechado o calendário das convenções partidárias, os candidatos nanicos não terão muito mais do que um minuto cada um na guerra pela audiência no horário eleitoral gratuito, quando poderão mostrar seus rostos e suas idéias para a população.
Segundo De Góes, a proliferação desses candidatos faz parte do jogo político mundial e, no Brasil, é fruto também da falta de regras para disciplinar a criação de novos partidos. Para De Góes, dos nanicos que estão no páreo deste ano, apenas cinco deverão conseguir alguma colocação e chegar ao fimal da disputa. São candidaturas aventureiras e mais uma ajuda para a realização do segundo turno, comentou.
Entre esse grupo, dois candidatos chamam a atenção pelo radicalismo de suas propostas. O brigadeiro Ivan Frota (PMN) espera o apoio da família militar para chegar ao Palácio do Planalto em 1999 e acusa o presidente Fernando Henrique de ser um traidor.
Enquanto Frota é associado com as forças mais conservadoras, José Maria de Almeida tenta chegar à presidência com o apoio do radical partido de esquerda PSTU. Para ele, Lula, de quem foi contemporâneo no início do movimento sindical no ABC paulista, é quem não tem mais os requisitos necessários para atender a vontade da população. José Maria quer dobrar imediatamente o salário mínimo e desapropriar terras improdutivas sem pagar qualquer indenização.
DiferençaA campanha de 1998 guarda uma suave diferença em relação a 1994. Naquele ano, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apenas oito candidatos disputaram o Palácio do Planalto: na dianteira ficou Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que foi eleito com 36,7 milhões de votos; em segundo, Luís Inácio Lula da Silva (PT), com pouco mais de 18 milhões de votos e, em terceiro, Enéas Carneiro (Prona), que conseguiu 4,9 milhões de votos.
Atrás, surge uma série de candidatos, numa mistura de nanicos iniciantes com políticos mais experientes, como o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB), por exemplo, que teve uma votação de 2,8 milhões de votos. Em 1994, também Leonel Brizola (PDT) - agora, candidato a vice de Lula - disputou a presidência e obteve o apoio de 2,1 milhões de eleitores.
Brizola foi seguido pelo ex-governador de Santa Catarina Esperidião Amim (PPB), que conseguiu 1,9 milhão de votos. Na lanterninha daquela disputa ficaram Carlos Antônio Gomes (PRN), com 405,8 mil votos, e o almirante Hernâni Fortuna (PSC), com pouco mais de 252 mil votos.


