Maioria dos eleitores não tem 1º grau
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de agosto de 1998
Marcelo de Moraes Agência Estado 
Mais de 70 milhões dos 106 milhões de eleitores brasileiros têm escolaridade abaixo do 1ª grau completo. Desse total, cerca de 8,5 milhões são analfabetos e 24,8 milhões sabem apenas ler e escrever. Os dados, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), são mais impressionantes por mostrarem que 66,19% do eleitorado brasileiro recebeu pouquíssimo ou nenhum ensino.
O perfil educativo do eleitorado paulista também não foge desse padrão negativo. Em São Paulo, mais da metade dos eleitores possui no máximo o curso de 1º grau incompleto. Ao todo, 56,54% das pessoas que votarão em São Paulo são analfabetas ou apenas sabem ler e escrever ou iniciaram o primário mas não conseguiram concluí-lo. Esse batalhão de eleitores com escolaridade mínima em São Paulo representa o total de mais de 13 milhões de pessoas.
A falta de escolaridade do eleitor brasileiro é constatada também na outra ponta do relatório preparado pelo TSE. Apenas 3,4 milhões dos eleitores têm diploma de ensino superior. Essa fatia equivale a apenas 3,28% do total de pessoal que votam no Brasil.
Os piores indicadores estão justamente nas regiões mais pobres, como o Nordeste. Alagoas é o Estado com o recorde negativo na taxa de eleitores analfabetos. Nada menos do que 20,88% de todos os eleitores do Estado fazem parte dessa categoria. Os números do Estado continuam muito ruins no nível mínimo de escolaridade. Se forem somados aos analfabetos os eleitores que apenas sabem ler e escrever e os que têm 1º grau incompleto, Alagoas passa a ter 78,55% de todas as pessoas que votam no Estado praticamente sem qualquer escolaridade.
Sem ensino, as pessoas têm menos possibilidades de poderem decidir seu voto com consciência, avalia o senador José Eduardo Dutra (PT-SE), vice-líder do bloco de oposição no Senado. O senador lembra que o problema é crônico e ainda está muito distante de ser resolvido. Para ele, o programa Bolsa-Escola, desenvolvido pelo governo do PT no Distrito Federal é uma das melhores opções do País justamente para impedir que esses indicadores permaneçam negativos nos próximos anos.
Outro Estado com números muito ruins é o Piauí. Entre os eleitores piauienses 82,48% têm, no máximo, o 1º grau incompleto. Eleitores com algum tipo de formação universitária - diplomados ou não - são apenas 28.353, num porcentual de apenas 1,58% de todo o colégio eleitoral do Estado. No Maranhão, outro índice extremamente negativo. Apenas 1,25% dos eleitores tiveram alguma espécie de aprendizado de nível superior ou conseguiram se formar. Em termos de analfabetismo, o Maranhão também tem sérios problemas, com 19,31% do total de pessoas que votam incluídos nessa categoria.


