A maioria dos 54 deputados estaduais está contra a venda da Companhia Paranaense de Energia (Copel). Levantamento feito pela Folha revela que 28 deputados não querem que a empresa de energia saia do controle do Estado. Apenas sete se posicionaram a favor e os 19 restantes estão indecisos. O presidente da Copel e secretário da Fazenda, Ingo Hubert, é aguardado na Assembléia Legislativa, no dia 27. Ele foi convocado a explicar detalhadamente os motivos e a forma como o governo estadual vai conduzir a privatização. No cronograma oficial, o leilão está previsto para ser realizado entre outubro e novembro. A intenção da oposição é revogar a lei que autoriza o Estado a vender a companhia de energia.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, acredita que a opinião de muitos deputados será revertida. ‘‘Nem o governador quer vender a Copel, mas a situação é insustentável’’, afirma, referindo-se ao programa de desregulamentação do setor elétrico do governo federal. Dos 28 deputados que estão contra, 14 são da base de sustentação. O descontentamento está sendo alimentado – segundo fontes da própria Assembléia Legislativa – pela falta de recursos, o que inviabiliza o cumprimento de promessas políticas no interior.
O líder do governo, Durval Amaral (PFL), resume o melhor argumento do governo: ‘‘É melhor que venda agora, com Jaime Lerner, ou a privatização acontecerá de qualquer jeito no próximo governo.’’ Os partidos da oposição já fecharam posição e são totalmente contra. As bancadas do PT (quatro deputados), PDT (dois) e PMDB (sete) não aceitam a privatização. O coro é engrossado pela bancada do PSB (Ricardo Maia e Moysés Leônidas), tradicionalmente da base de apoio ao governo.
O PTB tem reunião em Foz do Iguaçu no próximo dia 31, para definir a posição oficial do partido. O líder da legenda na Assembléia Legislativa, Algaci Túlio, anuncia que é contra e garante que não muda de opinião. O PSL também vai definir uma posição geral. A tendência seria concordar com a venda. A posição do diretório estadual do PSDB, presidido pelo senador Alvaro Dias, é contra a venda. Entretanto, o único tucano na Assembléia que não compartilha da opinião é Renato Gaúcho, que se diz indefinido.
O repúdio à venda se manifesta até entre os correligionários do governador. O pefelista Nelson Garcia antecipa que é contra. Mas o presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PTB), afirma que o Estado está ‘‘ingovernável’’ e que o Palácio Iguaçu ‘‘não tem outra saída a não ser vender a Copel’’. Tony Garcia, líder do PPB, avalia que a falta de apoio ao governador desta vez é diferente porque cada deputado ‘‘está de olho nas eleições do ano que vem e pensa na sobrevivência política’’.
O líder da oposição, Waldir Pugliesi (PMDB), resume os argumentos dos deputados que são contra a privatização. ‘‘A empresa é lucrativa e atrai investimentos. Não se pode vender ativos para tapar rombos no caixa.’’ Durval Amaral desconversa ao ser questionado sobre a possibilidade de o governo estar vendendo a Copel por causa de dificuldades financeiras.
O deputado Divanir Braz Palma (PST) pondera que o governo é um mau gerente. ‘‘Sou a favor da privatização de todas as empresas estatais. Somente assim o País terá condições de investir em áreas como segurança, saúde e educação.’’ Caíto Quintana (PMDB) discorda. ‘‘A energia é um dos bens mais valiosos no presente. No futuro, quem for detentor da geração de energia, será forte.’’
(Colaboraram Rosane Henn e Andréa Lombardo, de Curitiba)

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