Curitiba - Estimativas do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-econômicos (Dieese) do Paraná dão conta que cerca de 190 mil trabalhadores de todo o Estado serão beneficiados diretamente com o novo salário mínimo regional. Estes são os empregados paranaenses que trabalham com carteira assinada e, como não possuem um acordo coletivo para definir um piso salarial entre o sindicato que os representa e a classe patronal, têm como referência de remuneração o salário mínimo. Quem ganha menos de R$ 437, porém é representado por um sindicato que fechou acordo coletivo com os patrões, não vai receber aumento. Entretanto, os sindicatos afirmam que neste caso o salário mínimo regional servirá como forma de pressão na próxima negociação.
A maior parte dos empregados que receberão o salário mínimo regional é da classe doméstica. Segundo o economista do Dieese, Sandro Silva, dados de 2004 dão conta que o Paraná possui cerca de 390 mil trabalhadores domésticos, sendo que apenas 100 mil deles têm carteira assinada. O cálculo do Dieese é de que estes números estejam iguais hoje. Portanto, segundo o Departamento, os outros 90 mil trabalhadores estão pulverizados em diversas funções, a maioria delas novas no mercado. Mas mesmo não atingindo todas as classes que ganham menos de R$ 437, as previsões são otimistas com a implantação. ''O novo salário deve injetar R$ 16 milhões por mês na economia do Estado'', afirmou Silva.
O economista disse ainda que o salário mínimo de R$ 437 pode beneficiar outros 360 mil empregados do Estado que possuem acordo coletivo com os patrões, porém têm piso salarial menor que o mínimo regional. Isso deve acontecer porque os sindicatos vão usar o novo valor como arma na hora de negociar o próximo acordo coletivo. ''Os sindicatos vão pedir que o mínimo paranaense seja respeitado. Mas vai depender da negociação. Legalmente ele não precisa ser respeitado como base salarial, mas sim o salário mínimo do Brasil. Mas é uma forma de pressão'', explicou Silva. E, na análise do economista do Dieese, essa pressão, que pode se transformar em movimentos e até greves, é o que preocupa as empresas, indústrias e proprietários rurais. ''Porque agora eles não vão ter que pagar nada'', enfatizou. (A.B.)

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