Brasília - Prudência e cautela são agora as palavras de ordem do PFL. Na reunião realizada na noite de segunda-feira, no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente Marco Maciel, os dirigentes, governadores e prefeitos de capitais do partido concluíram que ainda estão na condição de fundamentais para os planos de qualquer candidato a presidente da República. Mas devem aguardar os próximos lances da sucessão.
Para o presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, o petista Luiz Inácio Lula da Silva é o único candidato que está consolidado e em situação confortável. ‘‘Ele está numa situação que já o coloca em segundo turno.’’
Bornhausen ressaltou que a disposição de seu partido é discutir a situação eleitoral com os antigos aliados. Enquanto aguarda os acenos neste sentido, o PFL seguirá a passos lentos, de olho no desenrolar da situação eleitoral.
O favoritismo de Lula é usado pelo PFL como um ingrediente a mais neste processo de reaproximação. Bornhausen acredita - e dirá isso ao presidente Fernando Henrique, em encontro marcado para domingo - que uma eventual vitória de Lula provocará turbulências na economia. ‘‘Não há como negar que vai ocorrer, porque a mudança será radical.’’ E reafirma a convicção de que Lula está em grande vantagem: ‘‘Na pesquisa CNT/Sensus Lula teve 24,5% dos votos espontâneos. São votos que ninguém tira mais’’. Por isso, entende que o momento exige a unidade das forças que dividiram o poder nos últimos sete anos.
Bornhausen classifica a decisão dos caciques do PFL como ‘‘uma atitude de prudência política’’. Mas o que a maioria do PFL quer mesmo é fazer as pazes e promover nova aliança com o PSDB, desde que seja retirada a candidatura de José Serra à Presidência da República. Hipótese considerada improvável pelo comando do PSDB.
‘‘É essa a realidade de meu partido e é com ela que vou trabalhar’’, afirma Bornhausen, referindo-se à consulta feita com 118 parlamentares pefelistas, dos quais 87% disseram ser a favor do apoio a outro candidato do PSDB e apenas 12% afirmaram ser contrários. Mantida a candidatura Serra, eles preferem ficar sem candidato a presidente. Cerca de 85% dos parlamentares querem ficar sem coligação nacional e 15% optaram por aliança.

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