Maior protesto do Paraná reúne 200 mil em Curitiba
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domingo, 13 de março de 2016
Adriana De Cunto<br>Reportagem Local
Curitiba A manifestação contra corrupção e pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT) levou 200 mil pessoas para as ruas de Curitiba, ontem à tarde. A estimativa é da Polícia Militar (PM), com base em dados fornecidos pelo Centro Integrado de Comando e Controle Regional (CICCR), que utilizou as câmeras de videomonitoramento instaladas nas vias por onde os manifestantes passaram e também imagens captadas por um helicóptero. Ainda segundo a polícia, esse número leva em consideração as pessoas que circularam desde o início da concentração até a dispersão da multidão. Foi a maior manifestação contra o Partido dos Trabalhadores (PT) realizada na capital paranaense, que nos três protestos do ano passado reuniu 80 mil pessoas em março, 60 mil em agosto e sete mil em dezembro.
O número de manifestantes já chamava atenção durante a concentração, por volta das 14 horas, na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Naquele momento, o local reunia 60 mil cidadãos. A maioria vestia verde e amarelo. Idosos, adultos, jovens e crianças formavam a multidão que gritava "fora PT", "fora Dilma" e manifestava apoio ao juiz federal Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava Jato. Muita gente usava máscaras com o rosto do magistrado.
Quando, às 14h45, os manifestantes seguiram em passeata pelas avenidas Marechal Deodoro e XV de Novembro, a PM calculava a população em 100 mil pessoas. O grupo foi ganhando adesão pelo caminho, chegando aos 160 mil, às 15h40, na Boca Maldita. Por volta das 16 horas, depois do carro de som dos organizadores "puxar" o Hino Nacional, a multidão começou a se dispersar.
INCIDENTE
O protesto transcorreu pacificamente e apenas um incidente foi registrado, segundo a PM. Um homem de 27 anos, que não teve o nome divulgado pelas autoridades policiais, foi detido na Rua 13 de Maio com fogos de artifício embaixo da blusa. Ele estaria mirando os foguetes em direção aos populares, informou a assessoria de imprensa da PM. Segundo o tenente-coronel Antônio Zanatta Neto, comandante do 12º Batalhão da Polícia Militar, 800 policiais trabalharam para garantir a segurança dos manifestantes em Curitiba. "É um movimento popular, democrático e nos estamos aqui para garantir justamente isso, que as pessoas se manifestem, sim, mas naturalmente respeitando a integridade física do seu próximo", explicou Zanatta Neto.
EM FAMÍLIA
O empresário Roque Borgonovo participou de todas as manifestações realizadas desde o ano passado na capital. "Não temos uma bandeira partidária. Estamos aqui para lutar por um Brasil mais justo e livre de corrupção", afirmou. Ele disse que está sendo um ano muito difícil. "A gente fica até chateado porque tem que abrir mão de empregos, demitir é uma tarefa muito dura pra gente. Queremos viver em um pais progressista, gerando emprego", disse. Outro empresário, Valdir Lopes, levou a mulher, os filhos e os netos para o protesto. Ele também reclamou da crise econômica, o que o motivou a participar pela primeira vez de uma manifestação. "Estamos em peso, aqui, para apoiar o juiz Sérgio Moro", avisou.