São Paulo - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) tem dificuldade para dizer quantas emissoras de rádio controla porque na maior parte das vezes elas funcionam de maneira clandestina, sem autorização do Ministério das Comunicações. Outro problema do MST é a falta de recursos. Algumas emissoras saíram do ar por falta de dinheiro para a manutenção.
Para contornar estes problemas, os dirigentes do MST tentam convencer o governo federal a investir na sua rede. Obter uma fatia da verba publicitária do governo é um alvo perseguido pelo MST desde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Milton Viana, editor do semanário Brasil de Fato, apoiado pelos sem-terra, trata-se de democratizar os meios de comunicação: ''Não estamos pedindo dinheiro para pagar dívidas, mas sim a democratização na distribuição da verba publicitária.''
Os esforços podem dar resultados. A última edição da ''Revista Sem-Terra'' circulou com um anúncio da Caixa Econômica Federal na contracapa. A Fundação Banco do Brasil doou para os sem-terra 2.500 computadores usados, todos equipados com sistema que permite se conectar à internet via satélite. No Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) também está distribuindo computadores nos acampamentos.
O MST abre emissoras para discutir depois a legalização. É o caso do acampamento da Fazenda Araupel, em Quedas do Iguaçu (PR), que pôs a rádio no ar há um mês. Seu coordenador, Gilmar Dias, já instalou outra emissora, num assentamento vizinho. Numa salinha apertada, onde ensina dois garotos a usar o equipamento, ele diz que o mais difícil não é comentar notícias para os acampados, mas atender ao gosto musical de todos.

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