'Maior desafio é unir o PMDB', diz Rigotto
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 16 de março de 2006
Janaina Garcia<br> Reportagem Local 
A festa com bexigas, jingles em carros de som e rojões que marcou ontem em Londrina a visita do governador licenciado do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, contrasta com o clima vivido dentro do partido nos últimos dias e explicitado nas declarações do gaúcho. Mais que a definição do candidato do PMDB à presidência da República, nas prévias de domingo, Rigotto admite que o maior desafio nos próximos dias será unir setores de uma sigla hoje multifacetada, em coro ao que já afirmou na segunda-feira o outro pré-candidato peemedebista, Anthony Garotinho.
O governador gaúcho se reuniu em um hotel do Centro de Londrina com correligionários do PMDB de Londrina, da região e de Curitiba a maioria, ligada diretamente ao governador Roberto Requião (que apóia Rigotto), como o vice Orlando Pessuti e os secretários estaduais Luiz Cláudio Romanelli (Obras) e Maurício Requião (Educação).
Em entrevista coletiva antes do encontro partidário, Rigotto evitou comparações com o colega do Rio. Restringiu-se a algumas insinuações: ''Quando eu tiver tempo de rádio e TV o quadro muda, pois não tive exposição nacional, não fui candidato a presidente (Garotinho foi em 2002), não sou pré-candidato há tanto tempo, nem andei pelo Brasil como outros andaram. Então, para mim, pesquisa não vale'', definiu, referindo-se a números que o deixam em ligeira desvantagem, quando a avaliação considera o nome dele.
Se por um lado procurou ser discreto na campanha de prévia, por outro Rigotto alternou críticas ao governo federal como aquelas direcionadas a alas do PMDB que são contra a candidatura própria. Ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por sinal, coube a responsabilidade pelo crescimento negativo do Produto Interno Bruto (PIB) do RS ano passado. ''Isso se deve à política econômica do governo federal, pois o Estado sofreu com a estiagem e perdeu 74% da produção de soja, e mais de 70% da safra de milho. A indústria, o comércio e o setor de serviços foram prejudicados, sem que sequer barreiras fossem criadas para proteger nosso setor calçadista dos chineses'', argumentou.
De volta ao assunto prévias, o pré-candidato se mostrou otimista em relação ao que ele chama de mobilização das bases contra alas que ''vão a reboque''. ''Esse é nosso grande desafio, unificar quem está espalhado. Infelizmente, temos um grupo que tenta invialilizar as prévias de domingo, gente que acha que verticalização vale apenas aos outros partidos'', disse. Questionado sobre nomes, contudo, o governador licenciado recuou. ''Vocês sabem quem quer ficar a reboque do PT e permanecer com cargos e favores deles'', concluiu, salientando que qualquer decisão de manter a verticalização, por parte do Supremo Tribunal Federal (STF), não afetrá sua posição. ''Acredito que não há a mínima condição de recuarmos, mesmo porque a convenção precisa de dois terços dos votos para alterar o que as prévias determinarem.''


